segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Caso de Amor


Uma estrada é deserta por dois motivos: por abandono ou por desprezo. Esta que eu ando nela agora é por abandono. Chega que os espinheiros a estão abafando as margens. Esta estrada melhora muito de eu ir sozinho nela. Eu ando por aqui desde pequeno. E sinto que ela bota sentido em mim. Eu acho que ela manja que eu fui para a escola e estou voltando agora para revê-la. Ela não tem indiferença pelo meu passado. Eu sinto mesmo que ela me reconhece agora, tantos anos depois. Eu sinto que ela melhora de eu ir sozinho sobre seu corpo.
De minha parte eu achei ela bem acabadinha. Sobre suas pedras agora raramente um cavalo passeia. E quando vem um, ela o segura com carinho. Eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e de bichos... Eu estou imaginando que a estrada pensa que eu também sou como ela: uma coisa bem esquecida. Pode ser. Nem cachorro passa mais por nós. Mas eu ensino para ela como se deve comportar na solidão... Numa boa: a gente vai desaparecendo igual ao Carlitos vai desaparecendo no fim de uma estrada...Deixe, deixe, meu amor.

Manoel de Barros

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O lucro vem da escravidão ou do tráfico?


Olá meninos e meninas,

Apresento para vocês o historiador que deu a aula inaugural do curso de história quando fui aluno, na Universidade de São Paulo: Fernando Novais. Ele nos é muito útil aqui, devido à sua tese sobre a escravidão e o tráfico negreiro no Brasil. No texto abaixo ele identifica um sentido, quer dizer, um objetivo muito claro para o esforço de Portugal em manter o Brasil como sua colônia. Vamos ler:

" O regime do comércio colonial – isto é, o exclusivo metropolitano no comércio colonial – constituiu-se, ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, no mecanismo através do qual se processava a apropriação por parte dos mercadores das metrópoles, dos lucros excedentes gerados nas economias coloniais: assim, pois, o sistema colonial em funcionamento, configurava uma peça da acumulação primitiva de capitais nos quadros do desenvolvimento do capitalismo mercantil europeu. " (Fernando Novais, “Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial”. São Paulo: Editora Hucitec, 1979, p. 92).


Para Novais, não é a instituição escravidão que explica o surgimento do tráfico negreiro, ao contrário, é o fato de o tráfico negreiro também contribuir para a acumulação primitiva de capital que explica o fato de se ter optado pela mão-de-obra escrava africana.

A ilustração acima, escaneada do livro "A escravidão do Brasil" do historiador Júlio Quevedo, da PUC-RS, ajuda a entender o grande fluxo de escravos da África para as Américas. Se estiver difícil visualizar a imagem, clique sobre ela para ver em tamanho maior.

É isso. Espero que esta sua visita ao blog tenha sido uma experiência útil para o entendimento de questões que estamos trabalhando também na sala de aula.

Abraço!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hans Staden



Hans Staden nasceu em uma província prussiana, por volta de 1520. Participou como artilheiro de duas viagens ao Brasil. Staden atravessou o Atlântico no navio comandado pelo capitão Penteado, participou de batalhas contra os franceses e voltou a Lisboa em 1548.
Numa segunda viagem, em 1549, rumo ao Rio da Prata, região onde se supunha haver ouro, naufragou no litoral de Itanhaém.
Salvo, atuaria na guerra portuguesa contra os tupinanbás, pois sabia manejar canhões. Em busca de caça na floresta, foi capturado pelos tupinambás. Como de costume, seria morto e devorado em um ritual antropofágico.
No entanto, Staden declarou-se alemão, depois amigo e parente dos franceses, e finalmente como francês e inimigo dos portugueses. Sua barba ruiva era um álibi, pois os portugueses tinham barba preta.
O prisioneiro ainda demonstrou aos captores que o Deus cristão era poderoso, capaz de provocar chuvas e castigar. Staden se protegeu com estratégias que o transformaram em senhor dos tupinambás, quando na verdade era escravo!
Um capitão francês resgatou Hans Staden, em 1550. As aventuras de Staden foram publicadas em livro que se tornou um sucesso editorial, além de orientar muitas pesquisas sobre os costumes dos Tupinambás.

Adaptado do "Dicionário do Brasil Colonial", Ronaldo Vainfas. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2000. (pág.278)

Gostou da história? Você pode pesquisar, aqui mesmo na web, sobre o livro "Duas viagens ao Brasil" e saber mais sobre Hans Staden. Uma boa dica é este site sobre quadrinhos, pois há também uma edição em HQ: http://www.bigorna.net/index.php?secao=artigos&id=1140139785

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Novidades da arqueologia sobre os Sambaquis



Ao estudar os tupinambás e os guarani, soubemos que eles talvez tenham escravizado ou simplesmente expulsado do litoral os homens dos Sambaquis. Na edição especial de outubro de 2010, a Revista de História da Biblioteca Nacional publicou novidades de uma pesquisa realizada no litoral sul de Santa Catarina, nas cidades de Laguna, Tubarão e Jaguaruna. Na foto ao lado, o arqueólogo analisa o perfil do sambaqui do Mato Alto, em Tubarão (SC).
Segundo a pesquisa, os povos sambaquieiros eram sedentários, e não nômades, como se pensava. Os montes de conchas, significado de sambaqui em tupi-guarani, tinham função funerária e o acúmulo de conchas propiciava melhor preservação de restos orgânicos.
Além da função funerária, os sambaquis serviam como marco territorial. Estes novos estudos rompem, segundo o professor Paulo Dantas BeBlasis, coordenador da pesquisa, com uma visão limitada que identificava os sambaquis como restos de acampamentos sucessivos, ou mesmo como lixões pré-históricos.

Se você quiser saber mais sobre este tema e outros relacionados à história, visite o site: http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Boas notícias na terra dos Tupinambá e Guarani


25.10.2010
No útimo dia 19 de outubro, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou os decretos presidenciais que permitem a criação da Secretária Especial de Saúde indígena (SESAI).
A SESAI será dividida em três áreas: Departamento de Gestão da Saúde Indígena, Departamento de Atenção à Saúde Indígena e Distritos Sanitários Especiais Indígenas. O órgão também será responsável pelas ações de saneamento básico e ambiental das áreas indígenas.
O ministro José Gomes Temporão acredita que a nova secretaria marca um avanço sem precedentes para saúde indígena: "A assinatura do decreto inaugura uma nova fase, em que teremos condições de aprimorar a política de saúde indígena, de maneira integrada, desde a atenção básica até a internação. E o que é fundamental, todo esse processo vem se dando com o apoio e participação das lideranças que militam na área"

Esta notícia foi publicada no site da COIAB.
Fonte: http://www.coiab.com.br

COIAB



COORDENAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA

A COIAB foi criada em uma reunião de líderes indígenas em abril de 1989. É a maior organização indígena do Brasil, tem 75 organizações membros dos nove Estados da Amazônia Brasileira (Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins); são associações locais, federações regionais, organizações de mulheres, professores e estudantes indígenas. Juntas, estas comunidades somam aproximadamente 430 mil pessoas, o que representa cerca de 60% da população indígena do Brasil.

A COIAB foi fundada para ser o instrumento de luta e de representação dos povos indígenas da Amazônia Legal Brasileira pelos seus direitos básicos (terra, saúde, educação, economia e interculturalidade). Representa cerca de 160 diferentes povos indígenas com características particulares, que ocupam aproximadamente 110 milhões de hectares no território amazônico.

Na luta pela garantia e promoção dos direitos dos povos indígenas, a COIAB tem como objetivos e fins promover a organização social, cultural, econômica e política dos povos e organizações indígenas da Amazônia Brasileira, contribuindo para o seu fortalecimento e autonomia. Também formula estratégias, busca parcerias e cooperação técnica, financeira e política com organizações indígenas, não indígenas e organismos de cooperação nacional e internacional para garantir a continuidade da luta e resistência dos povos indígenas.

Para quem quiser saber mais sobre a COIAB o endereço é:
http://www.coiab.com.br/index.php?dest=como_colaborar
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Paranapiacaba, em Tupi, significa "local de onde se avista o mar". Então vamos olhar para ver!



Vamos sair e olhar o mundo lá fora! Vamos nos colocar em movimento e ler outras verdades.
E aqui vai uma: a lição nada mais é que uma leitura. E, se podemos olhar para ler, vamos andar para ver o que há de difrente por aí.
Vamos para a Vila de Paranapiacaba ver a história de perto. A história que remete ao século XIX, ao Brasil do Imperador Pedro II, ao Barão de Mauá, mas também aos trabalhadores da da São Paulo Railway.
Vamos para um trabalho de campo, dia 23/10, para, do nosso ponto de vista, descobrir o novo. O resultado disso pode ser um bom encontro com o outro, a ampliação do nosso repertório de conhecimento, da nossa cultura.

Não perca!

Mais informações em http://www.uggi.com.br/prog_paranapiacaba.htm

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domingo, 29 de agosto de 2010

Para saber mais é importante ler mapas!



Notícia da Folha de São Paulo de hoje, 29 de agosto de 2010:

O Instituto de Estudos Avançados da Uiversidade de São Paulo - USP - e o projeto Dimensões do Império Português inauguram na quarta-feira, um site que reúne mapas e documentos dos séculos XVI à XIX, com registros do território brasileiro e da América do Sul. O site permite aproximar os mapas e escolher em que partes utilizar o zoom. É bem bacana! Há também uma Cartoblibliografia. Isso mesmo: as referências bibliográficas de cada mapa, o que satisfaz os mais curiosos, além de links para as principais universidades do mundo todo que disponibilizam mapas em arquivos digitais. Tudo na faixa!
O mapa acima é de autoria de Nicolau Visscher, foi publicado em Amsterdam e data de 1679.

Copie o endereço abaixo no seu navegador e conheça o site:

http://www.mapashistoricos.usp.br/

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domingo, 22 de agosto de 2010

Absolutismo na Inglaterra

A Derrota da Armada Espanhola Tela de Philippe-Jacques de Loutherbourg, 1796.

Olá turma,

Hoje vou destacar aqui o Absolutismo na Inglaterra. A seguir você pode ler o texto, que é um bom resumo do contexto histórico, e ver o trailer do filme “Elisabeth, A era de Ouro”. Acredito que este filme seja uma boa contribuição para o entendimento das relações entre os recém criados Estados Modernos na Europa.

Na passagem da Idade Média para Moderna, o processo de centralização do poder político significa o surgimento das monarquias nacionais. Os reis começam a concentrar o poder em suas mãos. Os monarcas criam suas próprias instituições, como exércitos, leis e moedas nacionais; e entre os séculos XVI e XVII se define o conceito moderno de Estado.

Na Inglaterra, os governos de Henrique VIII e de sua filha Elizabeth I, foram decisivos, pois unificaram o país, dominaram a nobreza, afastaram a interferência papa, criaram a Igreja nacional inglesa, confiscaram as terras da Igreja Católica e obtiveram êxito na disputa de domínios coloniais com os espanhóis.

Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth assumiu o poder em 1558, governando a Inglaterra até 1603. Seu governo representa o apogeu do absolutismo, evitando sempre convocação do Parlamento, criado pela Magna Carta de 1215, de quem dependia a aprovação da cobrança de impostos. A Igreja Anglicana, criada na Inglaterra por Henrique VIII, que mesclava características católicas e calvinistas, foi utilizada com sabedoria pela rainha, que valorizando o conteúdo calvinista, pressionava a nobreza (de maioria católica), ao mesmo tempo em que obtinha apoio da burguesia (de maioria calvinista).

Elizabeth I demonstrou todo seu poder, quando mandou decapitar sua prima católica Mary Stuart, rainha deposta da Escócia, apoiada pelo papa e pelo rei FilipeII, da Espanha. Em 1558, ao destruir a Invencível Armada enviada pelos espanhóis, cuja imagem acima faz referência, contribuiu para o início da hegemonia inglesa na navegação e no comércio internacional com o estímulo para construção naval, resultando num grande avanço econômico, com destaques para indústria de tecidos de lã e para exploração das minas de carvão.

Minhas sugestões, a partir de agora, são as seguintes: tire suas dúvidas aqui no blog sobre o absolutismo - este é nosso objeto de estudo; imprima ou copie o texto acima para tê-lo em seu caderno; e se gostar do trailer, faça pipoca e assista ao filme com seus pais e/ou amigos no próximo fim de semana;

É isso! Desejo a todos um bom início de semana e boas leituras de filmes e textos.
Abraço!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Conheça a Anistia Internacional



Reproduzo aqui notícia veiculada pelo site da Anistia Internacional, solicitando o apelo de todos para sensibilizar o governo do Irã. É uma questão de defesa dos Direitos Humanos e da luta contra a violência de gênero. Acesse o link para ler mais sobre a causa desta entidade que monitora as graves violações aos Direitos Humanos no mundo todo.

IRÃ: "REVISÃO" DA PENA DE MORTE POR APEDREJAMENTO
O Supremo Tribunal iniciou uma revisão da pena de morte de Sakineh Mohammadi Ashtiani no dia 4 de agosto: isto parece visar exclusivamente a reduzir a pressão internacional sobre as autoridades, ao adiar uma decisão sobre o método de execução. A sentença de apedrejamento continua em vigor. Envie já o seu apelo!

Rede de Ações Urgentes - Clica e vai!

http://www.br.amnesty.org/?q=node/930

domingo, 15 de agosto de 2010

Notícias da Alemanha, berço da Reforma

Olá turma,

A Reforma repercute ainda hoje. O passado não nos é acessível, mas o representamos construindo uma memória. A memória é uma produção cultural. E podemos chamar a intervenção abaixo, feita por um artista, de cultura material. Nosso curso de história tem a preocupação de lidar com essa intervenção, por que ela é também uma representação da história. Uma aproximação que buscamos fazer do nosso passado.



Cerca de 800 estatuetas coloridas de Martinho Lutero estão aparecendo na cidade de Wittenberg, no leste da Alemanha, onde há quase 500 anos ele se voltou pela primeira vez contra a Igreja Católica, dando origem à Reforma Protestante.
As peças de plástico têm 1 m de altura e vêm nas cores vermelha, verde, azul e preto. Elas são criações do artista Ottmar Hoerl, e se destinam a substituir uma estátua de Martinho Lutero que fica na praça principal da cidade, mas está em reforma.
A instalação atraiu a ira de alguns teólogos protestantes, para quem as estatuetas zombam dos feitos de Lutero. Em 2009, o artista já havia causado polêmica ao criar 1.250 anões de jardim com os braços estendidos numa saudação nazista.

Fonte: http://noticias.r7.com/internacional/noticias/800-estatuas-de-martinho-lutero-lembram-reforma-protestante-20100811.html

Lutero e a Reforma

Começamos a semana tratando de um tema novo: a Reforma. Trago aqui um velho conhecido meu. É o texto da Ana Carolina Davoli, aluna do 7º ano de 2008. Por ter sido muito útil, vale aqui um repeteco!

"A grande Revolta

O monge Martinho Lutero não concordava com alguns pontos da Igreja. Ele elaborou 95 teses denunciando suas irregularidades. O movimento de reformas religiosas teve início no Sacro Império Romano Germânico. Entre os séculos XIV e XVI, o imperador costumava se proclamar “chefe de todos os cristãos”. Contudo, sua autoridade era restrita, pois os príncipes e bispos controlavam o poder local.
Lutero acreditava que poderia existir um mundo onde todos tivessem os mesmos direitos e condições; onde as pessoas pudessem participar dos cultos e fazer suas próprias leituras;
Muitos religiosos viviam no luxo e exploravam as crenças dos fiéis. Vendiam relíquias e indulgências com a promessa de diminuir o tempo de permanência das pessoas no purgatório. Lutero sabia que a Igreja podia melhorar e acreditava nela.
A Reforma Católica é um movimento de reação ao protestantismo. Ela precisava auto-reformar-se ou não sobreviveria. Para isso fizeram o Concílio de Trento, com a intenção de manter certo poder sobre os católicos."

Agora tente você arriscar umas palavras... Você diria que o texto dá conta de explicar tudo sobre a Reforma? O que há mais para dizer sobre este processo histórico? Você pode explicar, por exemplo, um dos termos ou expressões que aparecem em negrito.

Outra coisa: abaixo, segue o link de uma matéria da revista Aventuras na História. É um bom texto para quem quer saber mais sobre a Reforma.

Clica e vai!

http://historia.abril.com.br/religiao/martinho-lutero-reforma-demolidora-435562.shtml

domingo, 1 de agosto de 2010

116 anos difíceis...

Olá turma!

Para retomar nossas atividades neste segundo semestre escolhi o tema da Guerra dos Cem Anos (que durou 116), mas teve alguns períodos de interrupção. Espero que o texto abaixo ajude a compreender o tema. Há também uma novidade por aqui: um trecho de filme que pode ser bem interessante...

No ano de 1337, teve início um conflito envolvendo a Inglaterra e a França: a Guerra dos Cem Anos, que se estendeu até 1453, e que foi a maior guerra européia medieval, tendo por efeito uma série de transformações decisivas para a afirmação do chamado mundo moderno. O crescimento do poder da monarquia francesa esteve diretamente ligado ao crescimento do comércio e das cidades. Mas persistiam ainda as velhas tradições feudais, com as antigas divisões em ducados e condados, com senhores locais poderosos controlando, por vezes, áreas mais extensas que os próprios domínios reais. A Guerra dos Cem Anos tem como um de seus motivos a disputa entre a Inglaterra e a França pela rica região de Flandres (uma parte da Bélgica atual), grande produtora de tecidos de lã. Outro motivo, não menos importante, foi a pretensão de Eduardo III, rei da Inglaterra, de ser também rei da França, pois era neto do monarca que ocupava o trono francês. Como os nobres franceses impediram-no de assumir o trono, ele ordenou aos exércitos ingleses a invasão da França. Nas duas primeiras décadas da guerra, os ingleses ocuparam boa parte do território francês. Isso fez surgir na França um forte sentimento nacional, que colaborou para unir a população francesa. O símbolo desse nascente sentimento nacional francês foi uma jovem camponesa chamada Joana D'arc. Ela convocou os franceses a se unirem ao rei Carlos VII para expulsar os ingleses. O rei, por sua vez, usou parte do dinheiro dos impostos para organizar um exército nacional permanente a serviço da monarquia.

Esta introdução é um bom ponto de partida para entender a Guerra dos Cem Anos e descobrir o que aconteceu a partir de então. Para tornar sua pesquisa ainda mais interessante, uma boa sugestão é assistir ao filme “Joana D’arc”, que conta a história desta heroína dos franceses na Guerra dos Cem Anos. Veja abaixo os dados do filme:

Título: JOANA D’ARC (Joan of Arc, França, 1999)
DIREÇÃO: Luc Besson
ELENCO: Milla Jovovich, John Malkovich, Dustin Hoffman; 124 min.

Veja agora o trailer do filme. □ Clica e vai!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Copa do Mundo na África!


Acreditem: a África do Sul ainda é muito dividida. Depois de vencida a divisão institucionalizada, que dava direitos aos brancos e limitava o acesso dos negros e "outras raças" ao trabalho, moradia, uso da terra, educação, serviços de saúde e representação política, resta ainda uma divisão que conhecemos bem aqui no Brasil - a divisão social que ainda mantém a maioria dos negros na periferia do sistema capitalista.
O que vocês não vão ouvir nos telejornais, é que Nelson Mandela se revoltou contra o sistema imposto e se tornou o primeiro comandante de um partido que adotou a luta armada como instrumento de resistência ao regime, em 1961. Ele foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua por alta traição.
Na foto acima, o homem sul-africano comemora a notícia da libertação de Mandela em 11 de fevereiro de 1990. Era a senha para democratizar o país nos anos seguintes.
Mandela é um ícone da luta pelos Direitos Humanos, que em determinado momento tomou medidas radicais, endureceu sua forma de luta, mas sem perder a crença num novo homem capaz de entender as diferenças sem convertê-las em desigualdades.
É por isso, que hoje podemos saudar a Copa do Mundo na África, não como uma guerra entre as seleções dos países como alguns obtusos narradores de televisão querem que a entendamos, mas como um momento de congraçamento entre diferentes povos.
A Copa do Mundo não determina quem é o melhor no futebol. Trata-se de um torneio de sete jogos para quem chega à final. Sua impotârncia é muito maior: é política, e por isso mesmo vale parar o que estamos fazendo para refletir sobre ela.


Vamos aproveitar, vamos curtir a Copa do Mundo de 2010!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Formação de Potugal e Espanha (parte II)



Olá Turma,


Ontem descrevi a formação de Portugal e hoje vamos falar da Espanha.

Observando o mapa ao lado podemos conferir o avanço do Reino de Leão e Castela em diração ao sul da Península Ibérica, o que também acontece com o Reino de Aragão.

Note também que o território de Portugal se amplia bastante e chega ao limite meridional da península.

A Espanha vai concluir seu processo de unificação dos Reinos ao expulsar, em 1492, os árabes muçulmanos do território denominado no mapa de Granada. Este é também o ano em que Colombo cruza o Atlântico, em busca de um novo caminho para as Índias e descobre um novo continente...

A ideia mais forte até aqui, é a de que as lutas dos Reinos de Portugal, de Leão e Castela, e de Navarra e Aragão, pela Reconquista da Península Ibérica, foram determinantes para a formação e unificação dos Estados Modernos de Portugal e Espanha.

Gosto de pensar que é pela negação do elemento estranho (no caso, o muçulmano), que se formam os sentimentos de nacionalidade dos portugueses e espanhóis. Como já discutimos nas aulas, o conceito de nação tem a ver com um sentimento de pertencimento do indivíduo no grupo em que está inserido.
Me parece que esta tese se fortalece quando olhamos para os mapas postados aqui ontem e hoje. O que vocês acham?

Abraço,

Helio.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Formação de Portugal e Espanha (parte I)

Fonte: McEvedy, Colin. Atlas da História Medieval. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

Como vimos em nossas aulas sobre o Islã, grande parte da Península Ibérica estava, desde o século VIII, dominada pelos muçulmanos. Na península, os cristãos ocupavam as terras do norte onde se formaram os reinos de Leão, Castela, Navarra e Aragão.
Com as Cruzadas, a partir do século XI, a luta contra os mouros (nome pelo qual eram chamados os muçulmanos instalados na Península Ibéria) começou a ter resultado.
Esta luta, chamada de Reconquista, é o motor que movimenta a formação dos territórios de Portugal e Espanha. Pode-se dizer que é na luta contra os árabes muçulmanos que se fortalece um sentimento de identidade, por um lado, de portugueses e, por outro, de espanhóis.
O rei de Leão e Castela, em reconhecimento a um nobre que lutava contra os mouros, doa a ele o Condado Portucalense.Este nobre, Afonso Henriques, senhor do condado, que deveria obedecer as leis de suserania e vassalagem, revoltou-se contra seu suserano e declarou-se rei! No entanto, continuou a luta contra os mouros. Ajudado pelos soldados da Segunda Cruzada, que passava pelo litoral português, conseguiu libertar Lisboa dos muçulmanos e a cidade passou a ser a capital do Reino de Portugal.
O rei português controlou os nobres e aproximou-se dos burgueses, protegendo o comércio. Em meados do século XIII, Portugal estava completamente formado: a conquista do território terminara e o país era governado por um rei fortalecido. Nenhum monarca europeu, naquele momento, vivia uma situação igual.
Observe no mapa o processo de Reconquista: na primeira imagem os cristãos estão restritos ao norte da península; na segunda imagem, mais da metade do território foi conquistado. Já é possível localizar Portugal e as importantes cidades do Porto e de Lisboa.
Na próxima postagem, explico melhor a formação do Reino da Espanha.
Abraço!

Piada pronta: o Tocha Humana!


Salve meninas e meninos!
Escrevo para informar que me recupero bem e, também, para agradecer as mensagens de carinho e apoio. Aproveito para expressar a falta que tenho sentido do colégio, de modo geral, e de vocês em particular. Logo estarei apto para o trabalho e nos veremos em muito breve.
Mais uma vez, agradeço a preocupação de todos e espero que a distância seja um fator de motivação, para que retomemos os estudos a fim de concluirmos o semestre da melhor forma possível.
Grande abraço!
Helio de Moraes.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Cidade Renascentista

Catedral de Duomo - construída no século XIV, bem no centro da cidade, mistura os estilos renascentista e gótico.

A seguir, reproduzo aqui um texto da aluna Isabela Segalla, que cursou o sétimo ano em 2008:

"As cidades do Renascimento pareciam labirintos. Para as pessoas, Deus era, ainda, o centro de suas preocupações e, por isso, a igreja ocupava um lugar de destaque nas cidades.
A muralha nas cidades representava a prosperidade e, ao mesmo tempo, o medo. A segurança era muito importante para qualquer camada social. As cidades geralmente eram construídas em terrenos montanhosos. Estradas feitas de pedras marcavam o caminho dos soldados romanos num tempo do passado.
A palavra cidade é usada há muito tempo para caracterizar esse aglomerado de moradores. Antigamente, construir e morar em uma cidade era ser diferente, o comum era morar no campo. A cidade tornava o homem livre, um ser livre. Ele estava distante do trabalho pesado do campo, da condição de servo de um senhor feudal. Na cidade o homem podia criar laços com outras pessoas que não eram seus primos ou irmãos. Poderia freqüentar uma escola, ter um ofício.
Os moradores de uma cidade conviviam com pessoas de várias origens como comerciantes, peregrinos, soldados, viajantes e podiam ter acesso às mercadorias que chegavam de navio ou por carroças do Oriente luxuoso.
As cidades nem sempre foram constantes na história ocidental. Muitas desapareceram com a queda do Império Romano, mas a partir do ano 1000 há o reaparecimento de grandes cidades como Londres que em 1850 era considerada gigantesca com 2,5 milhões de moradores. Paris, na mesma época, tinha 1,8 milhão de habitantes.
Na Itália, as cidades tornavam-se emancipadas da Igreja ou de nobres pela iniciativa de homens importantes do lugar. A partir daí as cidades cresceram e surgiram instituições administrativas, militares e diplomáticas. E o mais importante: nasce a consciência cívica, ou seja, existe uma ligação moral e sentimental entre os moradores e a cidade."

É, sem dúvida, um bom texto. Escrito a partir das impressões sobre o livro "Cidades Renascentistas" da professora Tereza Aline, da Universidade de São Paulo - USP. E nossa ferramenta aqui também é muito bacana, porque podemos hoje conversar com o texto da aluna. Fazer perguntas ou continuar essa escrita de onde ela parou. Para isto, fica aqui o nosso convite, meu e da Isabela...

domingo, 9 de maio de 2010

Um bom momento para começar é sempre o agora!

Difícil enxergar a estrada? Ela se confunde com o horizonte que não há? É uma questão de olhar para ver? Ou será que, antes de a trilharmos, a estrada não exista mesmo? Se não há caminhos, talvez os devêssemos construir...

Salve alunada!

Este é um espaço para bons encontros e, até agora, o blogueiro aqui esteve aguardando o momento de um bom começo. Mas o momento ideal não existe. Não existe justamente por que é um ideal. Portanto, decidi pelo momento presente que, afinal, é o que temos. Já que o passado, assim como o futuro, não nos é acessível. Li uma vez que temos apenas uma sucessão de momentos presentes. Acredito nisso.
Para este bom começo com os alunos de 2010, escolhi um mestre querido de muitos alunos da USP, que faziam filas para conseguir uma vaga em seu curso de história. Falo do historiador Nicolau Sevcenko e trago, para este nosso encontro, um trecho do livro “O Renascimento” para abrir nossa discussão sobre a passagem da Idade Média para a Moderna:



“No período entre os séculos XI e XIV, o Ocidente Europeu assistiu a um processo de ressurgimento do comércio e das cidades. O estabelecimento de contatos constantes e cada vez mais intensos com o Oriente, inicialmente através das Cruzadas e em seguida pela fixação ali de feitorias comerciais permanentes, garantiu um fluxo contínuo de produtos, especiarias e sobretudo um estilo de vida novo para a Europa. A criação desse eixo comercial, reforçada pelo crescimento demográfico, pelo desenvolvimento da tecnologia agrícola e pelo aumento da produção nos campos europeus, dava origem a novas condições que tendiam a progressivamente, em conjunto com outros fatores estruturais internos, dissolver o sistema feudal que prevalecera até então.”


(SEVCENKO, Nicolau. “O Renascimento”. São Paulo: Atual, 1994)



Agora você pode, se quiser, comentar o que leu ou então responder a questão “O que é o sistema feudal que o professor Nicolau se referiu no texto?” Assim, podemos abrir um novo canal de comunicação entre nós todos do sétimo ano, com o objetivo de dar sentido ao que discutimos em sala de aula. Lembre que, de alguma maneira, esta é mais uma forma de se apropriar do conhecimento e este, é o que realmente interessa na sua vida de aluno-estudante.


Abraço,
Helio de Moraes.