terça-feira, 19 de março de 2013

Uma narrativa sobre as Grandes Navegações


Olá alunos,
 
O texto abaixo, é resultado de um exercício que pretendeu utilizar fatos históricos para a produção de uma narrativa ficcional sobre a época das Grandes Navegações. A produção não sofreu alterações de minha parte e trata-se de uma escrita de autoria da aluna Betina Reimer Bradfield, do 11º ano.
 
Expansão Marítima
 


      

     Agora já não se falava mais tanto sobre a Revolução de Avis, ocorrida em 1385 em Portugal, onde houve, pela primeira vez, um Rei com poder sobre a nobreza e a ter uma aliança com os burgueses. A aproximação entre a monarquia e os burgueses se tornou algo comum. O rei estava com o poder absoluto e tinha uma aliança com os burgueses, que pagam impostos para este em troca de seu apoio comercial. O rei já havia enviado vários navios à África e incentivado a criação e a manutenção de colônias. As pessoas, agora, em 1498, já haviam até se acostumado com a notícia da tomada de Ceuta pelos portugueses em 1415, que fora considerado o marco inicial da expansão marítima.
      João estava se despedindo de sua esposa, pois, agora, um navio comandado por Vasco da Gama iria finalmente alcançar as Índias. Os navios enviados anteriormente haviam alcançado pontos cada vez mais distantes do litoral da África. O último navio, comandado por Bartolomeu Dias, havia alcançado o extremo meridional da África, demonstrando a existência de uma passagem para outro oceano, o Índico.
     A esposa de João, Rafaela, chorava desesperadamente, enquanto João tentava acalmá-la dizendo que tudo ficaria bem e que ele voltaria com vida. Ele dizia isto para tentar convencer a si mesmo, pois todos sabiam que a probabilidade de morrer na viagem, devido aos perigos desconhecidos do mar, problemas de higiene e má alimentação era muito grande.
    João e Rafaela eram pessoas humildes, Rafaela dona-de-casa e João um soldado. O cotidiano deles em Portugal era sofrido, mas nada comparado aos dramas vividos a bordo. Rafaela estava muito triste, pois havia acabado de descobrir que ela e João teriam uma criança, e não estava preparada emocionalmente, nem financeiramente para tal presente.
     Sem dúvida o comércio no último século havia aumentado significativamente, vários navios haviam voltado com diversas mercadorias e Lisboa era um importante entreposto comercial. Sem falar na instalação de feitorias na costa da África, onde os portugueses realizavam o périplo africano em busca de uma nova rota para chegar às Índias. Também fora com essas instalações que começara a escravidão.
Porém, apesar de tudo isso, o enriquecimento do reino português era apenas aparente. Além de contar com escassos recursos humanos e materiais, era dependente financeiramente em relação a outros centros. Assim, o lucro vindo do processo de expansão marítima acabou sendo transferido, portanto, para outros centros europeus como Holanda e Itália, devido a essa dependência ou gastos pela Coroa.
     João e Rafaela se dirigiram ao porto de Lisboa, onde os navios de Vasco da Gama iriam partir daqui há pouco. Os dois deram um último abraço apertado e, de dedos cruzados, João prometeu a Rafaela que daqui a pouco estaria de volta.
     Já fazia muito tempo que João estava fora, a barriga de Rafaela estava, agora, bem aparente.  Finalmente, voltaram os navios de Vasco da Gama com a incrível notícia de que haviam descoberto a costa oeste da Índia, e que a Espanha havia o feito logo depois, tornando-se a segunda monarquia europeia a fazê-lo.
     Rafaela esperava ansiosa no porto, mas nada de João aparecer. Ela não se conformava que algo pudesse ter ocorrido com ele. Quando começou a escurecer ela resolveu, destruída, voltar para casa.
     Dois anos depois, partiu a primeira grande frota destinada a fazer comércio com o Oriente, comandada por Pedro Álvares Cabral. Rafaela, com seu filho no colo, observava com tristeza a despedida de casais no porto. Quando os navios voltaram, viera a notícia da chegada ao litoral do novo continente, na costa do território que viria a ser o Brasil, junto com a notícia de que mais esposas estavam viúvas.



                                                   
Betina Reimer Bradfield, 11ªA.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Estudar. Como eu começo?



Olá alunos do Ensino Médio,

Podemos começar este espaço de conversa esquecendo diferenças ligadas a qualquer relação de poder que se queira estabelecer: somos todos estudantes! É muito interessante que possamos preservar em nós essa qualidade que nos coloca no movimento de pensar.

A seguir, relaciono algumas formas de estudar história. Não é nada inovador, mas pode orientar o olhar para que ele esteja atento às informações e reflexões que querem nos escapar.

Vamos lá:

Longe de ser uma disciplina voltada para o passado, sem conexões com o presente, a História tem como pré-requisito fundamental a imersão nas questões que afetam os seres humanos. É a ciência dos seres humanos! Porém, pode ser preciso olhar para o passado para entender como as coisas funcionam nos dias de hoje. Se fizermos isso encontramos uma função para a História que nos é útil e essencial.
Esse olhar para o passado é uma leitura. Ler é mais importante do que qualquer coisa, pois dá valor a palavra e não existe nada fora das palavras. O que não pode ser dito não existe! Ao nos convencermos desta verdade estamos prontos para ler e estudar. Estamos aptos para aprender.


Vamos aos conteúdos, exercitando habilidades importantes como ler e produzir textos:


● Leia os textos separando-os em tópicos. Não tente ler um capítulo inteiro para então decidir o que fazer com ele.


● Produza pequenos textos que signifiquem o que você acabou de ler. No começo pode parecer difícil, mas ao repetir este exercício tudo parecerá mais simples.


● Procure nos textos relações de causa e efeito, identificando as razões que foram determinantes para que os eventos acontecessem de uma forma especifica.


● Ao identificar uma causa você está pronto para escrever um texto explicativo. Isto é, você pode dizer por que algo aconteceu e como aconteceu.


Na maioria das vezes as questões de História vão até aqui. Pedem para você explicar como e por que um processo histórico ocorreu.

Questões mais elaboradas podem solicitar que você relacione eventos distintos, ou ainda podem pedir que você avalie, julgue e analise as posturas e ações daqueles que fizeram a história. Nesses casos pode ser necessário:


● Organizar os fatos históricos, reconhecendo o que é mais relevante.


● A partir do que teve mais importância, é preciso escrever um texto que será uma síntese do que foi lido.


● O resultado nesses casos é uma reorganização que apresenta novas hipóteses, defesas de pontos de vista, argumentos e ideias. Este é um texto de autoria que diz muito do que o aluno aprendeu sobre os conteúdos trabalhados.
Para concluir, lembro que este é um espaço de conversa, de troca de informações e ideias. Se ao tentar aplicar o que você leu aqui surgirem questões, dúvidas ou observações que você queira compartilhar é só escrever...
Abraço!


terça-feira, 16 de outubro de 2012

A conquista e o avanço da colonização




Olá turma,

Ao ler o texto abaixo, desconfio que vocês vão entender a importância de se localizar a partir dos mapas que trago neste post. A geografia da América é uma boa pista para olhar e ver a "conquista". Passe o mouse por cima da figura e clique para ampliar.


A Península Ibérica, com exclusão de Portugal, tem uma superfície de pouco menos de 500 mil quilômetros quadrados. A superfície das Américas que cabia à Espanha entre 1519 e 1540 era de dois milhões de quilômetros quadrados. A coroa, que tinha cerca de seis milhões de súditos antes da expansão marítima, agora adquiria algo em torno de 50 milhões de súditos nas Américas.

A conquista se expandiu a partir de Cuba, entre 1516 e 1518, atravessou o México de 1519 a 1522, destruindo a confederação asteca, e depois irradiou-se para o norte e para o sul a partir do planalto central mexicano.

Outro braço da colonização partiu do Panamá, deslocando-se até a Nicarágua, entre 1523 e 1524. Depois tomou a rota do Pacífico rumo ao sul para a conquista do império inca em 1531-1533. Do Peru os conquistadores rumaram para Quito e Bogotá, onde encontraram outros grupos que desciam pela costa da Venezuela e da Colômbia. Seguiram então para o Chile, onde Santiago foi fundada em 1542 por Pedro Valdivia.
Fonte do mapa: http://americaindigena.cliomatica.com/ai/?p=26

Do outro lado do continente uma expedição que vinha da Europa, sob o comando de Pedro de Mendoza, tentou sem sucesso ocupar a região do rio da Prata, em 1535-1536, e terminou por deixar um remoto posto avançado de colonização no Paraguai. Buenos Aires, fundada pela primeira vez em 1536 e destruída em 1541, foi fundada novamente em 1580, desta vez não a partir da Europa, mas de Assunção.

Embora tenha havido muitos movimentos rebeldes à dominação, persiste o fato de que as regiões povoadas por uma população indígena maior e mais densa caíram sob o domínio espanhol no espaço de uma única geração. Uma pergunta que pode nos encorajar a estudar todo este processo histórico é a seguinte: como se pode explicar a extraordinária rapidez dessa "conquista"?

O texto de hoje foi composto a partir da seguinte referência bibliográfica:

- BETHELL, Leslie. História da América Latina: A América Latina Colonial I, volume 1. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Primavera Árabe (quarta parte)


Egito:uma semana depois da queda de Hosni Mubarak – o mais espetacular dos eventos alcançados pelos manifestantes nessa onda de revolta árabe – milhares de pessoas voltaram à praça Tahrir para celebrar o feito (ver foto abaixo). A manifestação pode ser compreendida como um sinal de alerta às forças armadas que tomaram o poder com a saída de Mubarak. Depois de derrubar um regime de 30 anos, em 18 dias de protestos, os egípcios sabem que sua revolução ainda não terminou até que o poder provisório dê lugar a um governo com regras bem claras.

A Irmandade Muçulmana tornou-se muito mais moderada do que quando foi perseguida por Hosni Mubarak. No passado lutou contra a ocupação britânica, foi contrária à violência, mobilizou milhões de seguidores através de ONGs e sindicatos. Para a maioria dos egípcios, a Irmandade Muçulmana poderia trazer estabilidade ao país.
Está
claro que os militares não pensam da mesma forma. O apoio de Washington  é fundamental, pois envia anualmente 1,3 bilhão de dólares em ajuda econômica ao Egito e tais remessas continuarão caso o secretário de Estado americano seja convencido de que o governo egípcio não está sob o domínio de uma organização terrorista.



A insurgência na Líbia contra o governo de Muamar Kadafi, desde 1969 no poder, teve início em 13 de fevereiro de 2011. Com a participação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o país vive desde então uma situação de Guerra Civil. Os rebeldes tomaram a capital Trípoli e Kadafi foi capturado e morto.

Veja abaixo um quadro que mostra a falta de alternância no poder entre os países do chamado Mundo Árabe:





Bibliografia consultada

● Revista Política Externa. Volume 20, número 1. Repercussões da Primavera Árabe. Universidade de São Paulo. Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais. São Paulo, 2011.

● VISENTINI, Paulo Fagundes. A primavera Árabe – Entre a Democracia e a Geopolítica do Petróleo. Porto Alegre: Leitura XXI, 2012.


Primavera Árabe (terceira parte)



As mídias sociais permitiram um alto grau de organização política por que:

Tornaram-se uma plataforma para que as pessoas pudessem expressar sua solidariedade tanto dentro do país como com outros países da região;

Permitiram o acesso à informação pelos próprios cidadãos, e não pelas redes de notícias nacionais;
 O fato de receber notícias em mensagens pessoais atribuiu confiança a essas mensagens, tendo um impacto profundo e mobilizador;

Era possível reunir um enorme número de pessoas em poucos dias, ou até mesmo em horas;

As mídias digitais facilitam uma comunicação coletiva e não hierárquica;
 
 
As mídias tradicionais não oferecem o acesso que os movimentos socias necessitam por que:

A liberdade de expressão exige uma dimensão pública – um meio de comunicação – para facilitar a troca de opiniões, ideias e informações;

Há a necessidade de plataformas ou ferramentas para a comunicação;

Mesmo em governos considerados democráticos o acesso à informação enfrenta resistências;
 A rede mundial é um novo modelo uma vez que:

A criação e o compartilhamento de conteúdos são distribuídos entre muitas pessoas por meios digitais e acessíveis por celulares, computadores, tv e rádio.

É possível eliminar intermediários, editores, censores e comunicar-se diretamente.

A Primavera Árabe e as charges de Carlos Latuff



Desde janeiro de 2010, os desenhos na prancheta do carioca Carlos Latuff acompanham os avanços da primavera árabe. Depois do sucesso de suas charges no Egito, adotadas nos protestos nas ruas, o cartunista vem atendendo aos pedidos vindos da Líbia, com desenhos que antecipam a queda de Kadafi e imaginam o futuro do país após a mudança.

O envolvimento de Latuff com o conflito na Líbia começou a partir da demanda dos próprios manifestantes, que o procuraram através da internet assim como os organizadores dos protestos em outros países imersos na chamada primavera árabe.

"Faço desenhos a pedido dos manifestantes e coloco na internet", resume Latuff, que tem 42 anos. "É um trabalho autoral, mas não se trata da minha opinião. É preciso que seja útil para os manifestantes, e que eles possam usar aquilo como uma ferramenta."

Latuff disponibiliza as imagens em seu perfil no twitpic (http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff), onde as charges podem ser baixadas e reproduzidas ao bel-prazer dos manifestantes.

"A partir do momento em que coloco na internet, as charges deixam de ser minhas. Faço esse trabalho para que seja compartilhado. O importante é a mensagem".


Primavera Árabe


Olá alunos,

Como combinamos vou postar aqui no blog informações sobre a chamada Primavera Árabe. O mapa acima faz referência à situação da região conflagrada. O texto a seguir localiza basicamente os acontecimentos. Não deixe de assistir o vídeo indicado no final deste post.

Em dezembro de 2010, um jovem tunisiano desempregado, Mohamed Bouazizi, ateou fogo a si mesmo em protesto contra o desemprego, após ser impedido pela polícia de trabalhar na rua no mercado informal.  Sua morte provocou uma série de tumultos que acabaram por se transformar em uma revolução popular contra o governo.

A Primavera Árabe pode ser definida como uma onda de revoltas populares que, desde dezembro de 2010, está transformando o cenário político do chamado Mundo Árabe, reivindicando democracia e participação política.

Ninguém antecipou a velocidade e a escalada da mudança na região. Ninguém intuiu, previu ou imaginou tais acontecimentos. Tampouco essas mudanças foram promovidas pelos grupos prováveis – não foram os islâmicos, os comunistas ou qualquer outro bloco organizado quem liderou os protestos.
A revolução na Tunísia foi operada por pessoas comuns e foi resultado da profunda distância existente entre os tunisianos e egípcios e seus respectivos governos. As revoltas foram motivadas pela pobreza e pela ausência de qualquer real perspectiva de mudança dentro do Estado de Direito. As pessoas utilizaram telefones celulares, mensagens de texto, aplicações de mídia social e a internet para chamar o povo às ruas para protestar.
A falta de mobilidade e a aparente estagnação social do Mundo Árabe vinham ocultando alterações significativas e até dinâmicas, que estavam sendo apontadas nos relatórios de Desenvolvimento Humano do PNUD:
- mais da metade da população do Mundo Árabe tem menos de 25 anos;
- a maioria da população tem poucas perspectivas de emprego e pouca participação na vida política, dominada por elites corruptas, de idade avançada e extremamente conservadoras;
- houve uma profunda alteração na composição das atividades econômicas, causando rápida urbanização;
- os níveis educacionais vêm subindo rapidamente, e mais pessoas estão se formando nas universidades;
- 86% dos egípcios passaram a ter acesso à televisão e 90% a telefones celulares;
- Os meios de comunicação estavam sobre controle estatal até o surgimento da Al Jazeera – um canal de transmissão via satélite sediado no Qatar;
                                                                Charge do cartunista carioca Carlos Latuff.
Mas o verdadeiro catalisador das revoltas foi o surgimento das mídias digitais combinadas com o uso onipresente de telefones celulares, câmeras digitais, postagens em blogs e aplicativos como o Facebook.
As mídias sociais, por si sós, não produziram a revolução árabe, mas funcionaram como veículos das mudanças. A combinação entre as mídias digitais e tradicionais (televisão, rádio e jornais) se mostrou letal para os regimes concentradores de poder.
A Al Jazeera, por ser uma canal de notícias 24 horas de língua árabe, que atinge 40 milhões de pessoas, coletava e organizava o conteúdo bruto e imediato que os cidadãos vinham compartilhando em todos os países e disponibilizava todo esse conteúdo para telespectadores da maneira mais rápida possível. Sua cobertura da revolução permitiu que pessoas que não tinham acesso a computadores vissem, também, o conteúdo digital produzido pelos seus vizinhos e conterrâneos.
As mídias tradicionais trabalharam em conjunto com as digitais, páginas do Facebook que informavam os horários e datas dos protestos no Cairo eram impressas e distribuídas de mão em mão entre os egípcios, para mobilizar aqueles sem acesso à internet. O link abaixo é de um documentário produzido pela TV Cultura que apresenta um bom panorama dos acontecimentos.
Clica e vai!