segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Caso de Amor


Uma estrada é deserta por dois motivos: por abandono ou por desprezo. Esta que eu ando nela agora é por abandono. Chega que os espinheiros a estão abafando as margens. Esta estrada melhora muito de eu ir sozinho nela. Eu ando por aqui desde pequeno. E sinto que ela bota sentido em mim. Eu acho que ela manja que eu fui para a escola e estou voltando agora para revê-la. Ela não tem indiferença pelo meu passado. Eu sinto mesmo que ela me reconhece agora, tantos anos depois. Eu sinto que ela melhora de eu ir sozinho sobre seu corpo.
De minha parte eu achei ela bem acabadinha. Sobre suas pedras agora raramente um cavalo passeia. E quando vem um, ela o segura com carinho. Eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e de bichos... Eu estou imaginando que a estrada pensa que eu também sou como ela: uma coisa bem esquecida. Pode ser. Nem cachorro passa mais por nós. Mas eu ensino para ela como se deve comportar na solidão... Numa boa: a gente vai desaparecendo igual ao Carlitos vai desaparecendo no fim de uma estrada...Deixe, deixe, meu amor.

Manoel de Barros

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O lucro vem da escravidão ou do tráfico?


Olá meninos e meninas,

Apresento para vocês o historiador que deu a aula inaugural do curso de história quando fui aluno, na Universidade de São Paulo: Fernando Novais. Ele nos é muito útil aqui, devido à sua tese sobre a escravidão e o tráfico negreiro no Brasil. No texto abaixo ele identifica um sentido, quer dizer, um objetivo muito claro para o esforço de Portugal em manter o Brasil como sua colônia. Vamos ler:

" O regime do comércio colonial – isto é, o exclusivo metropolitano no comércio colonial – constituiu-se, ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, no mecanismo através do qual se processava a apropriação por parte dos mercadores das metrópoles, dos lucros excedentes gerados nas economias coloniais: assim, pois, o sistema colonial em funcionamento, configurava uma peça da acumulação primitiva de capitais nos quadros do desenvolvimento do capitalismo mercantil europeu. " (Fernando Novais, “Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial”. São Paulo: Editora Hucitec, 1979, p. 92).


Para Novais, não é a instituição escravidão que explica o surgimento do tráfico negreiro, ao contrário, é o fato de o tráfico negreiro também contribuir para a acumulação primitiva de capital que explica o fato de se ter optado pela mão-de-obra escrava africana.

A ilustração acima, escaneada do livro "A escravidão do Brasil" do historiador Júlio Quevedo, da PUC-RS, ajuda a entender o grande fluxo de escravos da África para as Américas. Se estiver difícil visualizar a imagem, clique sobre ela para ver em tamanho maior.

É isso. Espero que esta sua visita ao blog tenha sido uma experiência útil para o entendimento de questões que estamos trabalhando também na sala de aula.

Abraço!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hans Staden



Hans Staden nasceu em uma província prussiana, por volta de 1520. Participou como artilheiro de duas viagens ao Brasil. Staden atravessou o Atlântico no navio comandado pelo capitão Penteado, participou de batalhas contra os franceses e voltou a Lisboa em 1548.
Numa segunda viagem, em 1549, rumo ao Rio da Prata, região onde se supunha haver ouro, naufragou no litoral de Itanhaém.
Salvo, atuaria na guerra portuguesa contra os tupinanbás, pois sabia manejar canhões. Em busca de caça na floresta, foi capturado pelos tupinambás. Como de costume, seria morto e devorado em um ritual antropofágico.
No entanto, Staden declarou-se alemão, depois amigo e parente dos franceses, e finalmente como francês e inimigo dos portugueses. Sua barba ruiva era um álibi, pois os portugueses tinham barba preta.
O prisioneiro ainda demonstrou aos captores que o Deus cristão era poderoso, capaz de provocar chuvas e castigar. Staden se protegeu com estratégias que o transformaram em senhor dos tupinambás, quando na verdade era escravo!
Um capitão francês resgatou Hans Staden, em 1550. As aventuras de Staden foram publicadas em livro que se tornou um sucesso editorial, além de orientar muitas pesquisas sobre os costumes dos Tupinambás.

Adaptado do "Dicionário do Brasil Colonial", Ronaldo Vainfas. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2000. (pág.278)

Gostou da história? Você pode pesquisar, aqui mesmo na web, sobre o livro "Duas viagens ao Brasil" e saber mais sobre Hans Staden. Uma boa dica é este site sobre quadrinhos, pois há também uma edição em HQ: http://www.bigorna.net/index.php?secao=artigos&id=1140139785

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Novidades da arqueologia sobre os Sambaquis



Ao estudar os tupinambás e os guarani, soubemos que eles talvez tenham escravizado ou simplesmente expulsado do litoral os homens dos Sambaquis. Na edição especial de outubro de 2010, a Revista de História da Biblioteca Nacional publicou novidades de uma pesquisa realizada no litoral sul de Santa Catarina, nas cidades de Laguna, Tubarão e Jaguaruna. Na foto ao lado, o arqueólogo analisa o perfil do sambaqui do Mato Alto, em Tubarão (SC).
Segundo a pesquisa, os povos sambaquieiros eram sedentários, e não nômades, como se pensava. Os montes de conchas, significado de sambaqui em tupi-guarani, tinham função funerária e o acúmulo de conchas propiciava melhor preservação de restos orgânicos.
Além da função funerária, os sambaquis serviam como marco territorial. Estes novos estudos rompem, segundo o professor Paulo Dantas BeBlasis, coordenador da pesquisa, com uma visão limitada que identificava os sambaquis como restos de acampamentos sucessivos, ou mesmo como lixões pré-históricos.

Se você quiser saber mais sobre este tema e outros relacionados à história, visite o site: http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Boas notícias na terra dos Tupinambá e Guarani


25.10.2010
No útimo dia 19 de outubro, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou os decretos presidenciais que permitem a criação da Secretária Especial de Saúde indígena (SESAI).
A SESAI será dividida em três áreas: Departamento de Gestão da Saúde Indígena, Departamento de Atenção à Saúde Indígena e Distritos Sanitários Especiais Indígenas. O órgão também será responsável pelas ações de saneamento básico e ambiental das áreas indígenas.
O ministro José Gomes Temporão acredita que a nova secretaria marca um avanço sem precedentes para saúde indígena: "A assinatura do decreto inaugura uma nova fase, em que teremos condições de aprimorar a política de saúde indígena, de maneira integrada, desde a atenção básica até a internação. E o que é fundamental, todo esse processo vem se dando com o apoio e participação das lideranças que militam na área"

Esta notícia foi publicada no site da COIAB.
Fonte: http://www.coiab.com.br

COIAB



COORDENAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA

A COIAB foi criada em uma reunião de líderes indígenas em abril de 1989. É a maior organização indígena do Brasil, tem 75 organizações membros dos nove Estados da Amazônia Brasileira (Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins); são associações locais, federações regionais, organizações de mulheres, professores e estudantes indígenas. Juntas, estas comunidades somam aproximadamente 430 mil pessoas, o que representa cerca de 60% da população indígena do Brasil.

A COIAB foi fundada para ser o instrumento de luta e de representação dos povos indígenas da Amazônia Legal Brasileira pelos seus direitos básicos (terra, saúde, educação, economia e interculturalidade). Representa cerca de 160 diferentes povos indígenas com características particulares, que ocupam aproximadamente 110 milhões de hectares no território amazônico.

Na luta pela garantia e promoção dos direitos dos povos indígenas, a COIAB tem como objetivos e fins promover a organização social, cultural, econômica e política dos povos e organizações indígenas da Amazônia Brasileira, contribuindo para o seu fortalecimento e autonomia. Também formula estratégias, busca parcerias e cooperação técnica, financeira e política com organizações indígenas, não indígenas e organismos de cooperação nacional e internacional para garantir a continuidade da luta e resistência dos povos indígenas.

Para quem quiser saber mais sobre a COIAB o endereço é:
http://www.coiab.com.br/index.php?dest=como_colaborar
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Paranapiacaba, em Tupi, significa "local de onde se avista o mar". Então vamos olhar para ver!



Vamos sair e olhar o mundo lá fora! Vamos nos colocar em movimento e ler outras verdades.
E aqui vai uma: a lição nada mais é que uma leitura. E, se podemos olhar para ler, vamos andar para ver o que há de difrente por aí.
Vamos para a Vila de Paranapiacaba ver a história de perto. A história que remete ao século XIX, ao Brasil do Imperador Pedro II, ao Barão de Mauá, mas também aos trabalhadores da da São Paulo Railway.
Vamos para um trabalho de campo, dia 23/10, para, do nosso ponto de vista, descobrir o novo. O resultado disso pode ser um bom encontro com o outro, a ampliação do nosso repertório de conhecimento, da nossa cultura.

Não perca!

Mais informações em http://www.uggi.com.br/prog_paranapiacaba.htm

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