domingo, 31 de julho de 2011

Veneza!


Imagem aérea de Veneza nos dias de hoje

O historiador Jacob Burckhardt , em seu livro "A cultura do Renascimento na Itália", descreve Veneza como uma cidade inexpugnável (que não se pode vencer, tomar, conquistar pela força das armas) mesmo em uma Itália dilacerada pelos bárbaros. Ao final do século XV, a cidade de pouco mais de 190 mil habitantes, tinha cúpulas antiqüíssimas, torres inclinadas, fachadas incrustadas de mármore, onde os adornos de ouro ocupavam todos os espaços disponíveis. Negócios de todo mundo eram feitos na grande praça central e nas ruas que convergiam para ela, em lojas, armazéns sem fim e estalagens. Em seus canais repousam embarcações de frotas carregadas de vinho e óleo, descarregadas por carregadores e levadas por mercadores. Havia instituições públicas como hospitais e órgãos administrativos funcionando regularmente como em nenhum outro lugar da Europa. Mesmo o sistema de pensões era administrado para atender perfeitamente as viúvas e os órfãos – isto foi conseguido com riqueza, segurança política e conhecimento do mundo, adquiridos pelos venezianos. Tudo isso fez com que Veneza sobrevivesse até mesmo aos mais duros golpes como, por exemplo, as constantes guerras contra os turcos e a descoberta do caminho marítimo para as Índias Orientais pelos portugueses e espanhóis, o que desviou parte do comércio que por ali passava.
Os Venezianos entendiam ter entre seus objetivos gozar o poder e a vida, ampliar o legado dos antepassados e abrir constantemente novos mercados. Este estilo de vida apenas confirma a história dos Polo, desde o estabelecimento do tio de Marco Polo em Constantinopla até as viagens de Marco Polo ao reino de Kublai Khan, como vimos no nosso curso de história, no bimestre passado. E aqui fica meu desejo para que você se lembre e leve com você esta e outras histórias...
Pense Veneza como uma cidade que pode ser comparada às outras tantas que você, de alguma forma, conhece ou vai conhecer. As cidades são intrigantes e únicas. Escreva sobre elas sempre que puder e estará estudando sua história.
Abraço!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Na direção do passado que foi Moderno!


"O Nascimento de Vênus" - Sandro Botticelli, 1483.

O século XVI tem características muito especiais, a maior parte da Europa ainda vive sob as condições da Idade Média, mas os ventos da mudança sopram na direção do horizonte que se apresenta no Oceano Atlântico!
A difusão da invenção da imprensa de tipos móveis faz os livros circularem e, com eles, o conhecimento, a cultura e a possibilidade de crítica diante das diversas realidades existentes na Europa.
E as novidades são tantas que é difícil apontá-las neste pequeno texto. Contudo, é possível que nos impressionemos diante do movimento dos artistas italianos, da opulência de Veneza e Florença, da força de movimentos como o Humanismo, a Reforma e a Contrarreforma que vão mexer com a Igreja Católica. Tudo isso tentou fazer a razão ocupar o lugar onde esteve assentado o poder do cristianismo, em boa parte da Idade Média.
Tudo isso acontece ao mesmo tempo em que a Europa descobre e coloniza um continente: a América.
Ao nos reencontrarmos na escola, vamos aproveitar o impulso que o comércio deu à Europa para se mover e juntos estaremos caminhando na direção da Idade Moderna. Não perca este “trem” da história.

Abraço!

E para quem quiser saber mais sobre esta pintura de Botticelli, indico o blog abaixo:

http://valiteratura.blogspot.com/2011/03/botticelli-e-escola-florentina-do.html

Clica e vai!

domingo, 29 de maio de 2011

Sobre a formação de Portugal e Espanha (parte II)


Fonte: McEvedy, Colin. Atlas da História Medieval. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

Observando o mapa acima podemos conferir o avanço do Reino de Leão e Castela em direção ao sul da Península Ibérica, o que também acontece com o Reino de Aragão.


Note também que o território de Portugal se amplia bastante e chega ao limite meridional da península.


A Espanha vai concluir seu processo de unificação dos Reinos ao expulsar, em 1492, os árabes muçulmanos do território denominado no mapa de Granada. Este é também o ano em que Colombo cruza o Atlântico, em busca de um novo caminho para as Índias e descobre um novo continente...


A ideia mais forte até aqui, é a de que as lutas dos Reinos de Portugal, de Leão e Castela, e de Navarra e Aragão, pela Reconquista da Península Ibérica, foram determinantes para a formação e unificação dos Estados Modernos de Portugal e Espanha.


Gosto de pensar que é pela negação do elemento estranho (no caso, o muçulmano), que se formam os sentimentos de nacionalidade dos portugueses e espanhóis. Como já discutimos nas aulas, o conceito de nação tem a ver com um sentimento de pertencimento do indivíduo no grupo em que está inserido.
Me parece que esta tese se fortalece quando olhamos para os mapas postados aqui no blog. O que vocês acham?


Abraço,


Helio.

Sobre a formação de Portugal e Espanha (parte I)


Fonte: McEvedy, Colin. Atlas da História Medieval. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

Como vimos em nossas aulas sobre o Islã, grande parte da Península Ibérica estava, desde o século VIII, dominada pelos muçulmanos. Na península, os cristãos ocupavam as terras do norte onde se formaram os reinos de Leão, Castela, Navarra e Aragão.
Com as Cruzadas, a partir do século XI, a luta contra os mouros (nome pelo qual eram chamados os muçulmanos instalados na Península Ibéria) começou a ter resultado.
Esta luta, chamada de Reconquista, é o motor que movimenta a formação dos territórios de Portugal e Espanha. Pode-se dizer que é na luta contra os árabes muçulmanos que se fortalece um sentimento de identidade, por um lado, de portugueses e, por outro, de espanhóis.
O rei de Leão e Castela, em reconhecimento a um nobre que lutava contra os mouros, doa a ele o Condado Portucalense.Este nobre, Afonso Henriques, senhor do condado, que deveria obedecer as leis de suserania e vassalagem, revoltou-se contra seu suserano e declarou-se rei! No entanto, continuou a luta contra os mouros. Ajudado pelos soldados da Segunda Cruzada, que passava pelo litoral português, conseguiu libertar Lisboa dos muçulmanos e a cidade passou a ser a capital do Reino de Portugal.
O rei português controlou os nobres e aproximou-se dos burgueses, protegendo o comércio. Em meados do século XIII, Portugal estava completamente formado: a conquista do território terminara e o país era governado por um rei fortalecido. Nenhum monarca europeu, naquele momento, vivia uma situação igual.
Observe no mapa o processo de Reconquista: na primeira imagem os cristãos estão restritos ao norte da península; na segunda imagem, mais da metade do território foi conquistado. Já é possível localizar Portugal e as importantes cidades do Porto e de Lisboa.
Na próxima postagem, explico melhor a formação do Reino da Espanha.
Abraço!

terça-feira, 19 de abril de 2011

O marco fantástico de Marco Polo


Mapa retirado da revista CLIO – LA MUSA DE LA HISTORIA – Año 9 – número 108. Editada em Portugal. Clique no mapa para vê-lo ampliado.

No século XIII, a cidade de Veneza era a sede de uma poderosa República independente. Através de sua privilegiada posição geográfica, conquistou o monopólio das rotas comerciais do Mediterrâneo e do mar Negro. Naquela época, Veneza rivalizava com Gênova e a grande cidade a ser conquistada era Constantinopla, a capital do Império Bizantino, ponto comercial mais avançado no Oriente, onde mercadores cristãos adquiriram dos povos muçulmanos cobiçados produtos, como a seda, tapetes, porcelanas e especiarias.
Os venezianos fizeram uma aliança com os mongóis que eram tolerantes com os cristãos e temidos pelos árabes islâmicos. Marco Polo nasceu em uma família de mercadores venezianos. Seu tio, Mateus Polo, tinha uma casa de comércio em Constantinopla. Na companhia do tio e de seu pai, Nicolau Polo, o jovem Marco viajou para o Império de Catai (China), onde foi recebido pelo Imperador Kublai Khan. Durante 24 anos os três viajaram incessantemente pelo Oriente, cumprindo missões diplomáticas e administrativas confiadas a eles pelo próprio imperador.
Após a morte do Grande Khan, Marco retornou à sua terra natal, rico e famoso. Entrou para a marinha de Veneza e participou de uma guerra contra Gênova. Foi aprisionado pelos genoveses, onde conheceu um escritor chamado Rusticello. Este se tornou um grande amigo e organizou os relatos de Marco Polo num documento que foi, durante quase 600 anos, a única fonte de informações sobre o Oriente: O livro das Maravilhas. Marco Polo morreu em 1324, na mesma cidade em que nasceu. Pelos seus relatos fantásticos é possível dizer que teve uma vida cheia de encontros que deram a ele a possibilidade de ler o mundo como poucos.
Escrevo para vocês com o intuito de incentivá-los a ler o livro proposto, não por mim, mas pelas professoras de língua portuguesa dos sétimos anos: Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino. Nesta obra é possível ter contato com os relatos de Marco Polo, que nunca pretendeu atingir o rigor científico em seus relatos, mas deixar suas impressões em episódios fantásticos e irreais, que dão conta do seu deslumbramento diante de civilizações até então desconhecidas para os europeus.
Boa leitura!
Abraço!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Quem tem medo do Islamismo?


Imagem da Caaba, em Meca.

A idéia de que o islamismo está associado à intolerância e à violência é contrariada pelo próprio significado do Islã, uma palavra que deriva de salaam, ou seja, paz, no idioma árabe.

Muçulmano é todo aquele que se submete voluntariamente à vontade de Deus e assim está em paz consigo mesmo, com a sociedade ao seu redor e com Deus. A primeira palavra que o muçulmano diz pela manhã é salaam e a saudação entre muçulmanos é Assalamu Alaikum (Que a paz esteja sobre vós!), com a resposta Alaikum Assalam (E sobre vós a paz!). A paz é o que norteia esta religião, e não a guerra, o terrorismo.

Depois de estudar o mundo árabe, no curso de história do 7º ano, você é capaz de explicar o que faz com que parte do mundo ocidental identifique o Islã como uma religião que promove a violência?

Vamos lá... faça tentativas na busca de uma escrita de sua autoria!

Abraço!

domingo, 13 de março de 2011

Diante da tragédia, a reflexão!


Foto: Arte/IG

Mais do que ver as imagens do Japão, é preciso trazer o debate para rotas de fuga no campo das idéias. Num momento como este, a tragédia de Lisboa, em 1775, nos vem à mente: assim como no Japão, ocorreu um grande terremoto seguido de um tsunami. Ondas de 20 metros de altura varreram a cidade. O norte da África também sofreu estragos naquela época. Os iluministas do século XVIII, preocupados com o uso da razão, debateram muito sobre como o homem teria responsabilidade ao romper a harmonia da natureza. Eles já pensavam e discutiam sobre o fato de que a natureza não construiu as cerca vinte mil casas de seis andares, que ruíram com o terremoto. Alguns achavam que, se as pessoas se organizassem e se tivessem consciência de seus limites humanos, poderiam minimizar os danos diante da força da natureza.
Parece que esta reflexão ficou no passado. Parece que pouca gente tenta fazer este debate nos dias de hoje. Como é possível que as sociedades de hoje construam grandes cidades nas bordas das placas tectônicas e ao redor de vulcões?
Assisti a um filme, na semana passada, em que um garoto americano que fazia trakking na região dos Cânions, nos E.U.A., diz a respeito das rochas e fendas do lugar o que parece que ninguém quer saber: “tudo está se movendo, sempre!”
O fundo dos mares são locais de grande atividade e mesmo assim os governos constroem usinas nucleares em locais de alto risco como esta que explodiu agora no Japão.
Mesmo sem Kant, Voltaire, Goethe ou Rousseau, que eram contemporâneos ao que ocorreu em Lisboa, precisamos ser capazes de propor outra reflexão que não seja somente a da cobertura espetacularizante que as televisões nos impõem. A cobertura dos acontecimentos é de 24 horas por dia e parece que isto dilui a nossa capacidade de pensar. Será então que não poderíamos saber que isto, mais cedo ou mais tarde, iria ocorrer? Vamos culpar a natureza? Vamos construir mais usinas nucleares e chamar de "limpa" a energia que elas produzem? Vamos ficar estarrecidos e surpresos, diante da medição da escala Richter e do número de vítimas? Será que podemos mesmo ocupar todo o planeta sem pagar este preço altíssimo que as cidades japonesas estão pagando agora?

Abraço!