domingo, 1 de agosto de 2010
116 anos difíceis...
Para retomar nossas atividades neste segundo semestre escolhi o tema da Guerra dos Cem Anos (que durou 116), mas teve alguns períodos de interrupção. Espero que o texto abaixo ajude a compreender o tema. Há também uma novidade por aqui: um trecho de filme que pode ser bem interessante...
No ano de 1337, teve início um conflito envolvendo a Inglaterra e a França: a Guerra dos Cem Anos, que se estendeu até 1453, e que foi a maior guerra européia medieval, tendo por efeito uma série de transformações decisivas para a afirmação do chamado mundo moderno. O crescimento do poder da monarquia francesa esteve diretamente ligado ao crescimento do comércio e das cidades. Mas persistiam ainda as velhas tradições feudais, com as antigas divisões em ducados e condados, com senhores locais poderosos controlando, por vezes, áreas mais extensas que os próprios domínios reais. A Guerra dos Cem Anos tem como um de seus motivos a disputa entre a Inglaterra e a França pela rica região de Flandres (uma parte da Bélgica atual), grande produtora de tecidos de lã. Outro motivo, não menos importante, foi a pretensão de Eduardo III, rei da Inglaterra, de ser também rei da França, pois era neto do monarca que ocupava o trono francês. Como os nobres franceses impediram-no de assumir o trono, ele ordenou aos exércitos ingleses a invasão da França. Nas duas primeiras décadas da guerra, os ingleses ocuparam boa parte do território francês. Isso fez surgir na França um forte sentimento nacional, que colaborou para unir a população francesa. O símbolo desse nascente sentimento nacional francês foi uma jovem camponesa chamada Joana D'arc. Ela convocou os franceses a se unirem ao rei Carlos VII para expulsar os ingleses. O rei, por sua vez, usou parte do dinheiro dos impostos para organizar um exército nacional permanente a serviço da monarquia.
Esta introdução é um bom ponto de partida para entender a Guerra dos Cem Anos e descobrir o que aconteceu a partir de então. Para tornar sua pesquisa ainda mais interessante, uma boa sugestão é assistir ao filme “Joana D’arc”, que conta a história desta heroína dos franceses na Guerra dos Cem Anos. Veja abaixo os dados do filme:
Título: JOANA D’ARC (Joan of Arc, França, 1999)
DIREÇÃO: Luc Besson
ELENCO: Milla Jovovich, John Malkovich, Dustin Hoffman; 124 min.
Veja agora o trailer do filme. □ Clica e vai!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Copa do Mundo na África!
Acreditem: a África do Sul ainda é muito dividida. Depois de vencida a divisão institucionalizada, que dava direitos aos brancos e limitava o acesso dos negros e "outras raças" ao trabalho, moradia, uso da terra, educação, serviços de saúde e representação política, resta ainda uma divisão que conhecemos bem aqui no Brasil - a divisão social que ainda mantém a maioria dos negros na periferia do sistema capitalista.
O que vocês não vão ouvir nos telejornais, é que Nelson Mandela se revoltou contra o sistema imposto e se tornou o primeiro comandante de um partido que adotou a luta armada como instrumento de resistência ao regime, em 1961. Ele foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua por alta traição.
Na foto acima, o homem sul-africano comemora a notícia da libertação de Mandela em 11 de fevereiro de 1990. Era a senha para democratizar o país nos anos seguintes.
Mandela é um ícone da luta pelos Direitos Humanos, que em determinado momento tomou medidas radicais, endureceu sua forma de luta, mas sem perder a crença num novo homem capaz de entender as diferenças sem convertê-las em desigualdades.
É por isso, que hoje podemos saudar a Copa do Mundo na África, não como uma guerra entre as seleções dos países como alguns obtusos narradores de televisão querem que a entendamos, mas como um momento de congraçamento entre diferentes povos.
A Copa do Mundo não determina quem é o melhor no futebol. Trata-se de um torneio de sete jogos para quem chega à final. Sua impotârncia é muito maior: é política, e por isso mesmo vale parar o que estamos fazendo para refletir sobre ela.
Vamos aproveitar, vamos curtir a Copa do Mundo de 2010!
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Formação de Potugal e Espanha (parte II)

terça-feira, 8 de junho de 2010
Formação de Portugal e Espanha (parte I)
Fonte: McEvedy, Colin. Atlas da História Medieval. São Paulo: Cia das Letras, 2007.Como vimos em nossas aulas sobre o Islã, grande parte da Península Ibérica estava, desde o século VIII, dominada pelos muçulmanos. Na península, os cristãos ocupavam as terras do norte onde se formaram os reinos de Leão, Castela, Navarra e Aragão.
Com as Cruzadas, a partir do século XI, a luta contra os mouros (nome pelo qual eram chamados os muçulmanos instalados na Península Ibéria) começou a ter resultado.
Esta luta, chamada de Reconquista, é o motor que movimenta a formação dos territórios de Portugal e Espanha. Pode-se dizer que é na luta contra os árabes muçulmanos que se fortalece um sentimento de identidade, por um lado, de portugueses e, por outro, de espanhóis.
O rei de Leão e Castela, em reconhecimento a um nobre que lutava contra os mouros, doa a ele o Condado Portucalense.Este nobre, Afonso Henriques, senhor do condado, que deveria obedecer as leis de suserania e vassalagem, revoltou-se contra seu suserano e declarou-se rei! No entanto, continuou a luta contra os mouros. Ajudado pelos soldados da Segunda Cruzada, que passava pelo litoral português, conseguiu libertar Lisboa dos muçulmanos e a cidade passou a ser a capital do Reino de Portugal.
O rei português controlou os nobres e aproximou-se dos burgueses, protegendo o comércio. Em meados do século XIII, Portugal estava completamente formado: a conquista do território terminara e o país era governado por um rei fortalecido. Nenhum monarca europeu, naquele momento, vivia uma situação igual.
Observe no mapa o processo de Reconquista: na primeira imagem os cristãos estão restritos ao norte da península; na segunda imagem, mais da metade do território foi conquistado. Já é possível localizar Portugal e as importantes cidades do Porto e de Lisboa.
Na próxima postagem, explico melhor a formação do Reino da Espanha.
Abraço!
Piada pronta: o Tocha Humana!
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Salve meninas e meninos!
Escrevo para informar que me recupero bem e, também, para agradecer as mensagens de carinho e apoio. Aproveito para expressar a falta que tenho sentido do colégio, de modo geral, e de vocês em particular. Logo estarei apto para o trabalho e nos veremos em muito breve.
Mais uma vez, agradeço a preocupação de todos e espero que a distância seja um fator de motivação, para que retomemos os estudos a fim de concluirmos o semestre da melhor forma possível.
Grande abraço!
Helio de Moraes.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Cidade Renascentista
Catedral de Duomo - construída no século XIV, bem no centro da cidade, mistura os estilos renascentista e gótico.A seguir, reproduzo aqui um texto da aluna Isabela Segalla, que cursou o sétimo ano em 2008:
"As cidades do Renascimento pareciam labirintos. Para as pessoas, Deus era, ainda, o centro de suas preocupações e, por isso, a igreja ocupava um lugar de destaque nas cidades.
A muralha nas cidades representava a prosperidade e, ao mesmo tempo, o medo. A segurança era muito importante para qualquer camada social. As cidades geralmente eram construídas em terrenos montanhosos. Estradas feitas de pedras marcavam o caminho dos soldados romanos num tempo do passado.
A palavra cidade é usada há muito tempo para caracterizar esse aglomerado de moradores. Antigamente, construir e morar em uma cidade era ser diferente, o comum era morar no campo. A cidade tornava o homem livre, um ser livre. Ele estava distante do trabalho pesado do campo, da condição de servo de um senhor feudal. Na cidade o homem podia criar laços com outras pessoas que não eram seus primos ou irmãos. Poderia freqüentar uma escola, ter um ofício.
Os moradores de uma cidade conviviam com pessoas de várias origens como comerciantes, peregrinos, soldados, viajantes e podiam ter acesso às mercadorias que chegavam de navio ou por carroças do Oriente luxuoso.
As cidades nem sempre foram constantes na história ocidental. Muitas desapareceram com a queda do Império Romano, mas a partir do ano 1000 há o reaparecimento de grandes cidades como Londres que em 1850 era considerada gigantesca com 2,5 milhões de moradores. Paris, na mesma época, tinha 1,8 milhão de habitantes.
Na Itália, as cidades tornavam-se emancipadas da Igreja ou de nobres pela iniciativa de homens importantes do lugar. A partir daí as cidades cresceram e surgiram instituições administrativas, militares e diplomáticas. E o mais importante: nasce a consciência cívica, ou seja, existe uma ligação moral e sentimental entre os moradores e a cidade."
É, sem dúvida, um bom texto. Escrito a partir das impressões sobre o livro "Cidades Renascentistas" da professora Tereza Aline, da Universidade de São Paulo - USP. E nossa ferramenta aqui também é muito bacana, porque podemos hoje conversar com o texto da aluna. Fazer perguntas ou continuar essa escrita de onde ela parou. Para isto, fica aqui o nosso convite, meu e da Isabela...
domingo, 9 de maio de 2010
Um bom momento para começar é sempre o agora!
Difícil enxergar a estrada? Ela se confunde com o horizonte que não há? É uma questão de olhar para ver? Ou será que, antes de a trilharmos, a estrada não exista mesmo? Se não há caminhos, talvez os devêssemos construir...Salve alunada!
Para este bom começo com os alunos de 2010, escolhi um mestre querido de muitos alunos da USP, que faziam filas para conseguir uma vaga em seu curso de história. Falo do historiador Nicolau Sevcenko e trago, para este nosso encontro, um trecho do livro “O Renascimento” para abrir nossa discussão sobre a passagem da Idade Média para a Moderna:
“No período entre os séculos XI e XIV, o Ocidente Europeu assistiu a um processo de ressurgimento do comércio e das cidades. O estabelecimento de contatos constantes e cada vez mais intensos com o Oriente, inicialmente através das Cruzadas e em seguida pela fixação ali de feitorias comerciais permanentes, garantiu um fluxo contínuo de produtos, especiarias e sobretudo um estilo de vida novo para a Europa. A criação desse eixo comercial, reforçada pelo crescimento demográfico, pelo desenvolvimento da tecnologia agrícola e pelo aumento da produção nos campos europeus, dava origem a novas condições que tendiam a progressivamente, em conjunto com outros fatores estruturais internos, dissolver o sistema feudal que prevalecera até então.”
Agora você pode, se quiser, comentar o que leu ou então responder a questão “O que é o sistema feudal que o professor Nicolau se referiu no texto?” Assim, podemos abrir um novo canal de comunicação entre nós todos do sétimo ano, com o objetivo de dar sentido ao que discutimos em sala de aula. Lembre que, de alguma maneira, esta é mais uma forma de se apropriar do conhecimento e este, é o que realmente interessa na sua vida de aluno-estudante.
Helio de Moraes.

