segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma bomba a explodir dentro de nós

Nosso direito acaba com o início do direito do outro. Talvez seja por isso que expressões naturais como a alegria e a plenitude sejam tão louvadas e respeitadas pela sociedade. Mas expressões como a raiva e o ódio são desencorajadas e contidas.
A questão é: será que uma risadinha e uma careta irônica não são tão fortes como um soco, um chute ou um xingamento explícito? Claro que sim (na minha opinião), e o grande problema é: como será a reação das pessoas que sofrem com o bullying, por exemplo?
É aí que a discussão se acende. Um ato de “violência sutil” pode acarretar atos de violência corporal. Os exemplos nós já cansamos de ouvir, mas o que será que passa pela cabeça de uma pessoa violenta? Rancor, impotência, ódio, vontade de se vingar? Esses são os frutos de certo descaso com o indivíduo e da blindagem do provocador.
A violência é dolorosa tanto para quem a recebe quanto para quem a comete. Talvez, conter não seja o melhor método para aplaca-la, e sim tentar ajudar a pessoa que está prestes a soltá-la, tentar entendê-la. E, assim, ajudar o grupo e cada indivíduo.
Pois cada um tem uma pequena bomba, que pode explodir se não houver um mudança para melhor.

Texto do João Pedro Borges Santos, aluno do 7º C. Fica aqui o meu convite para que os demais dialoguem com a escrita do colega.

Abraço!

domingo, 9 de agosto de 2009

Aventurar-se é preciso!

Os italianos tinham a tradição. Eram navegadores há muito tempo, seus pilotos e mapas eram muito respeitados. Mas os portugueses e espanhóis é que foram "empurrados" em direção ao Atlântico.

O caso de Portugal é emblemático: expandiu-se devido à pobreza agrícola! Na agricultura vivia apenas da produção de vinho e azeitonas, isto porque não havia muito mais o que fazer em suas terras pouco férteis.

Havia, além da produção de sal e a pesca, uma nobreza persistente, ambiciosa e ávida por uma solução para a falta de terras. O comércio com as Índias transformou-se no alicerce da economia do Estado Moderno português. As dificuldades para manter este comércio, desde a tomada de Constantinopla pelos turcos, era um problema de difícil solução.

A saída foi então o Atlântico e as aventuras marítimas...

Do que você leu e estudou até aqui, é possível se aventurar e nos dar mais alguma informação sobre as Grandes Navegações?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ponto de partida

Olá meninos e meninas,

Nestes tempos de "gripe suína", nosso encontro presencial de hoje foi adiado. Mesmo assim, preciso registrar o seguinte:

Colombo partiu do porto de Palos, na costa mediterrânea da Espanha em três de agosto de 1492 – esta data faz este breve post ser especial, afinal hoje é três de agosto!

Após uma viagem difícil chegou às Ilhas Canárias, onde fez uma longa escala para reparar os navios.

Este é, sem dúvida, um ponto de partida importante para os estudos que vem a seguir...

Abraço!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Todorov e Ridley Scott

Eu roubei um livro. Era de uma namorada minha, na época ela já era historiadora e eu estudante. Tenho-o até hoje e guardo, é verdade, um certo carinho por ele. O autor é Tzvetan Todorov, o livro "A conquista da América".
Falo dele hoje, por que amanhã, na aula de história, vocês verão o "1492 - A conquista do paraíso", filme dirigido por Ridley Scott, que é diretor do também recomendado "Blade Runner".
Embora tratem do mesmo tema - a chegada dos Europeus na América - as abordagens são distintas. Até mesmo, devido às diferenças importantes que existem entre uma produção cinematográfica e a produção de um livro de história.
Uso este espaço para dar voz ao Todorov e sua questão principal no livro: a questão do outro! Em sua primeira linha ele deixa claro: "Quero falar da descoberta que o eu faz do outro".
O autor escolhe falar da descoberta e da conquista da América, a partir da percepção que os espanhóis têm dos índios. Ele descreve a guerra, os horrores, a impossibilidade de se ver como um igual, a necessidade de salvar as almas dos selvagens com a fé cristã, a busca pelas riquezas e a contradição entre essas duas últimas idéias que citei aqui.
Levo o filme e o livro para a sala de aula. Faremos leituras dos dois. Vamos ver se um consegue enxergar o outro no seu próprio corpo...

Abraço e até lá!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O NASCIMENTO DA EUROPA (Parte II)

Segue a continuação do texto de Jacques Le Goff:

A Idade Média realizou uma curiosa combinação entre a diversidade e a unidade. A diversidade é o nascimento da França e da Alemanha, a partir do século IX, da Inglaterra, no final do século XI, e também da Espanha, quando Castela e Aragão se uniram pelo casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, no final do século XV. A unidade vem da religião cristã, que se impõe por toda parte.
Houve também a difusão do ensino. As universidades eram o lugar do ensino superior e, ainda hoje, em toda parte, ainda se configuram como o lugar onde este ensino é difundido. A Idade Média foi o período no qual surgiu e foi construída a Europa. Se cada período de civilização tem um papel, uma missão, no conjunto do desenvolvimento histórico, podemos dizer que a missão da Idade Média foi a de permitir o nascimento da Europa. Não é por acaso que o termo “Europa”, pouco freqüente nos escritos da Idade Média, surge na metade do século XV, no título de um tratado do Papa Pio II. Sob esse aspecto, podemos considerar que esse momento – o século XV – é um primeiro término da Idade Média.

Convido todos a confrontarem este texto com o de Eric Hobsbawm, historiador inglês, postado neste blog em 15/10/2008. É uma outra história da Europa.

Clica e vai!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Jacques Le Goff nos trata a todos como filhos.

A seguir, uma edição, em duas partes, do último capítulo do livro "A Idade Média explicada aos meus filhos", do medievalista que é referência central da corrente historiográfica conhecida como "Nova História":

O NASCIMENTO DA EUROPA (Parte I)

A Idade Média é, portanto, um longo período: aqueles que não acreditam que ela se prolongue até o final do século XVIII, como eu penso, com o nascimento da indústria moderna e a Revolução Francesa, admitem, no entanto, geralmente, que ela se estenda por dez séculos, do V ao XV - mil anos!
Esse longo período conservou o nome que lhe foi dado pelo Renascimento e que tinha, no começo, um sentido pejorativo: vimos que algumas pessoas, ainda hoje, consideram a Idade Média como uma época cruel ou tenebrosa, ao mesmo tempo violenta obscura e ignorante. Sabemos, atualmente, que essa imagem é falsa, mesmo que tenha existido uma Idade Média da violência: não apenas conflitos e guerras entre grupos e países, mas violências contra judeus, com o começo do anti-semitismo, e repressão contra os rebeldes aos ensinamentos da Igreja, aqueles que eram chamados de “hereges”, por meio da Inquisição. As cruzadas, evidentemente, também fazem parte do balanço negativo.
Mas a Idade Média foi também, acho até que principalmente, um grande período criativo. Podemos ver isso nos domínios da arte, das instituições, sobretudo das cidades (por exemplo, nas universidades), ou ainda no campo do pensamento – a filosofia que chamamos de “escolástica” atingiu altos patamares do saber. Também vimos até que ponto a Idade Média criou “lugares de encontro” comerciais e festivos (as feiras, as festas), que continuam a nos inspirar.

Paro hoje por aqui. Já deu para reconhecer algumas idéias vistas neste bimestre, não é?
Amanhã retomo esta escrita.
Abraço.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Entre o passado e o futuro

Daqui deste momento, começo uma nova trajetória, um ano mais velho, porém falando com outros mesmos meninos e meninas de um outro mesmo colégio, o Santa Maria de 2009.
Começo com um aforismo - e aforismo é, segundo o dicionário do Houaiss, uma máxima ou sentença que, em poucas palavras, explicita regra ou princípio de alcance moral; é um ditado - pois bem, como eu dizia, aí vai o tal aforismo:
"Nossa herança nos foi deixada sem nenhum testamento".
O pensamento é de um francês que viveu quatro anos na Resistência Francesa, na luta contra o nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Seu nome é René Char.
Este pensamento faz parte da introdução de um livro de Hannah Arendt, autora que um dia vocês vão conhecer melhor pela potência de sua reflexão sobre o século XX.
Aqui, trata-se apenas de uma brincadeira com o título de um de seus livros, justamente o "Entre o passado e o futuro" para significar a pausa que houve no blog e convidá-los a pensar sobre a história que nos foi deixada como herança e com poucas pistas do que fazer afinal com ela...
Vamos juntos então, nos provocar mutuamente e localizar trilhas possíveis para tornar a história mais viva em nossas vidas?!
Que aqui tenhamos bons encontros!

Abraço.