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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Por uma Declaração Universal
Há 60 anos, no dia 10 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotava em Paris a Declaração Universal dos Direitos Humanos, texto fundador que rege o direito internacional desde a Segunda Guerra Mundial, embora seus ideais continuem distantes e, muitas vezes, questionados.
Inspirada na declaração francesa dos direitos humanos e do cidadão, de 1789, e na declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem em sua origem o trauma provocado pela Segunda Guerra Mundial e pelo genocídio nazista.
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direito", proclama o primeiro artigo da Declaração, que em trinta pontos enumera os direitos humanos, civis, econômicos, sociais e culturais "inalienáveis" e "indivisíveis".
As convenções internacionais para banir a discriminação contra as mulheres, de 1979, além das convenções contra a tortura (1984) e pelos direitos das crianças (1990), junto com a criação da Corte Penal Internacional (CPI) em 1998 são fruto da DUDH.
Por outro lado, os direitos humanos continuam sendo uma ideologia muitas vezes rejeitada por alguns países, que denunciam uma visão exclusivamente ocidental e que questionam seu caráter universal.
Há uma corrente soberanista - cada um é dono em sua casa - representada sobretudo por China, Venezuela, Cuba e Birmânia, e uma corrente islamita, que acredita que os direitos humanos são o produto de um pensamento religioso revelado.
(Texto adaptado do que foi publicado pela UOL, em 10/12/2008, com o título "Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos".
Inspirada na declaração francesa dos direitos humanos e do cidadão, de 1789, e na declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem em sua origem o trauma provocado pela Segunda Guerra Mundial e pelo genocídio nazista.
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direito", proclama o primeiro artigo da Declaração, que em trinta pontos enumera os direitos humanos, civis, econômicos, sociais e culturais "inalienáveis" e "indivisíveis".
As convenções internacionais para banir a discriminação contra as mulheres, de 1979, além das convenções contra a tortura (1984) e pelos direitos das crianças (1990), junto com a criação da Corte Penal Internacional (CPI) em 1998 são fruto da DUDH.
Por outro lado, os direitos humanos continuam sendo uma ideologia muitas vezes rejeitada por alguns países, que denunciam uma visão exclusivamente ocidental e que questionam seu caráter universal.
Há uma corrente soberanista - cada um é dono em sua casa - representada sobretudo por China, Venezuela, Cuba e Birmânia, e uma corrente islamita, que acredita que os direitos humanos são o produto de um pensamento religioso revelado.
(Texto adaptado do que foi publicado pela UOL, em 10/12/2008, com o título "Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos".
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Hobsbawm: um historiador vivo!
Olá queridos!
Escrevo hoje, para dividir com vocês minhas impressões sobre um texto deste historiador inglês que tanto me anima. Eric Hobsbawm nasceu em 1917, o ano da Revolução Vermelha, e já dura muito mais tempo que o Estado que se produziu com aquela revolução. Ele está muito vivo e escrevendo com a lucidez que faltou aos sucessores de Lênin.
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, no Caderno Mais!, de 5 de outubro de 2008, Hobsbawm escreve o que chama de "uma história da Europa". O título já é muito rico, pois dá pista de que podem existir várias histórias e não apenas "a" história da Europa. É uma clara referência ao movimento que existe no pensar e escrever sobre os processos históricos. É uma declaração de humildade, de uma autoridade em história, que não pretende escrever a história definitiva da Europa, mas uma leitura possível.
O artigo discute as escolhas de cartógrafos, historiadores e geógrafos, ao darem nomes às coisas que descrevem. Trata com erudição a questão da descoberta da Europa como continente, das tentativas de formação de uma identidade do ser europeu, e de como essa identidade nasce, em alguma medida, do des-encontro de espanhóis, portugueses, ingleses, holandeses e franceses com os povos indígenas do Novo Mundo.
Para Hobsbawm, o Europeu ao descobrir a América, descobre a Europa!
O texto, que originalmente e na íntegra, foi publicado no jornal "Le Monde", é uma dica de boa leitura para alunos que queiram brincar de entender alguns movimentos da história.
Um abraço.
Escrevo hoje, para dividir com vocês minhas impressões sobre um texto deste historiador inglês que tanto me anima. Eric Hobsbawm nasceu em 1917, o ano da Revolução Vermelha, e já dura muito mais tempo que o Estado que se produziu com aquela revolução. Ele está muito vivo e escrevendo com a lucidez que faltou aos sucessores de Lênin.
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, no Caderno Mais!, de 5 de outubro de 2008, Hobsbawm escreve o que chama de "uma história da Europa". O título já é muito rico, pois dá pista de que podem existir várias histórias e não apenas "a" história da Europa. É uma clara referência ao movimento que existe no pensar e escrever sobre os processos históricos. É uma declaração de humildade, de uma autoridade em história, que não pretende escrever a história definitiva da Europa, mas uma leitura possível.
O artigo discute as escolhas de cartógrafos, historiadores e geógrafos, ao darem nomes às coisas que descrevem. Trata com erudição a questão da descoberta da Europa como continente, das tentativas de formação de uma identidade do ser europeu, e de como essa identidade nasce, em alguma medida, do des-encontro de espanhóis, portugueses, ingleses, holandeses e franceses com os povos indígenas do Novo Mundo.
Para Hobsbawm, o Europeu ao descobrir a América, descobre a Europa!
O texto, que originalmente e na íntegra, foi publicado no jornal "Le Monde", é uma dica de boa leitura para alunos que queiram brincar de entender alguns movimentos da história.
Um abraço.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Uma história iluminista
História de um Brâmane*
Durante minhas viagens encontrei um velho brâmane – homem muito sábio, cheio de espírito e erudição; além do mais era rico, e portanto, mais sábio ainda.
Perto de sua moradia morava uma velha hindu, muito devota, nada esclarecida e extremamente pobre.
Um dia o sábio me disse que preferia não ter nascido. Perguntei-lhe por quê.
- Faz quarenta anos que eu estudo, ensino aos outros e ignoro tudo! Não sei por que existo. Sou feito de matéria, penso e nunca pude saber o que produz o pensamento em mim. Esse estado me enche a alma de tanto desgosto que faz com que minha vida seja insuportável.
O estado desse homem me causou verdadeira compaixão: ninguém tinha mais senso e boa fé. Compreendi que, quanto mais luzes havia no seu entendimento e mais sensibilidade no seu coração, mais infeliz era ele.
Vi no mesmo dia a velha, sua vizinha: perguntei-lhe se alguma vez havia ficado aflita por querer saber como era a sua alma. Ela nem entendeu minha pergunta. Jamais em sua vida refletira um instante sobre um só dos pontos que atormentavam o brâmane.
Impressionado com a felicidade daquela pobre criatura, voltei ao meu filósofo e lhe disse:
- Não te envergonhas de ser infeliz, quando mora à tua porta uma velha que não pensa em nada e vive feliz?
- Tens razão – respondeu-me ele. – Mil vezes eu disse a mim mesmo que seria feliz se fosse tão tolo como a minha vizinha, contudo não desejaria tal felicidade.
Diante da resposta do sábio, pensei ainda: aqueles que estão contentes consigo mesmos estão bem certos de estar contentes; mas aqueles que raciocinam não têm tanta certeza de raciocinar bem.
E até hoje não encontrei ninguém que aceitasse se tornar imbecil para se sentir contente.
Daí concluí que, se damos valor à felicidade, damos mais ainda à razão.
Referência bibliográfica:
Adaptado do livro “Contos de Voltaire”, Editora Nova Cultural, 2002, pág. 235-239.
* Membro da casta sacerdotal, a primeira das castas hindus. (Nota do Tradutor)
Se você veio até aqui, merece saber que este texto faz parte da avaliação de amanhã. Leia de novo. Amanhã vamos conversar sobre ele.
Abraço!
Durante minhas viagens encontrei um velho brâmane – homem muito sábio, cheio de espírito e erudição; além do mais era rico, e portanto, mais sábio ainda.
Perto de sua moradia morava uma velha hindu, muito devota, nada esclarecida e extremamente pobre.
Um dia o sábio me disse que preferia não ter nascido. Perguntei-lhe por quê.
- Faz quarenta anos que eu estudo, ensino aos outros e ignoro tudo! Não sei por que existo. Sou feito de matéria, penso e nunca pude saber o que produz o pensamento em mim. Esse estado me enche a alma de tanto desgosto que faz com que minha vida seja insuportável.
O estado desse homem me causou verdadeira compaixão: ninguém tinha mais senso e boa fé. Compreendi que, quanto mais luzes havia no seu entendimento e mais sensibilidade no seu coração, mais infeliz era ele.
Vi no mesmo dia a velha, sua vizinha: perguntei-lhe se alguma vez havia ficado aflita por querer saber como era a sua alma. Ela nem entendeu minha pergunta. Jamais em sua vida refletira um instante sobre um só dos pontos que atormentavam o brâmane.
Impressionado com a felicidade daquela pobre criatura, voltei ao meu filósofo e lhe disse:
- Não te envergonhas de ser infeliz, quando mora à tua porta uma velha que não pensa em nada e vive feliz?
- Tens razão – respondeu-me ele. – Mil vezes eu disse a mim mesmo que seria feliz se fosse tão tolo como a minha vizinha, contudo não desejaria tal felicidade.
Diante da resposta do sábio, pensei ainda: aqueles que estão contentes consigo mesmos estão bem certos de estar contentes; mas aqueles que raciocinam não têm tanta certeza de raciocinar bem.
E até hoje não encontrei ninguém que aceitasse se tornar imbecil para se sentir contente.
Daí concluí que, se damos valor à felicidade, damos mais ainda à razão.
Referência bibliográfica:
Adaptado do livro “Contos de Voltaire”, Editora Nova Cultural, 2002, pág. 235-239.
* Membro da casta sacerdotal, a primeira das castas hindus. (Nota do Tradutor)
Se você veio até aqui, merece saber que este texto faz parte da avaliação de amanhã. Leia de novo. Amanhã vamos conversar sobre ele.
Abraço!
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Jogando luz sobre o Iluminismo de Rousseau
O filósofo brasileiro Bento Prado Jr., faz uma leitura sobre o Iluminista Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e encontra um autor para o qual a "força da linguagem não está na sua capacidade de reproduzir com fidelidade idéias, sentimentos, coisas, mas nos seus efeitos sobre quem ouve".
Esta idéia, publicada pela Folha de São Paulo no último sábado, 06/09/2008, no carderno Ilustrada, pode nos servir para reforçar a imagem que está presente no "Discurso sobre a origem das desigualdades entre os homens".
Podemos pensar que foi o efeito sobre os outros, da força da fala daquele que primeiro cercou um pedaço de terra e disse "isto é meu!", encontrando, segundo Rousseau, pessoas suficientemente fracas para acreditar nisso, a origem das desigualdades entre os homens.
O efeito é aquilo que se causa ao outro. Neste episódio imaginado por Rousseau, os outros homens que dão ouvidos áquele que diz ser sua a terra, não foram fortes para dizer que o fruto da terra não é de um só, que a terra, portanto, é de todos. Talvez se o tivessem feito, estaríamos aqui hoje falando do efeito que esta última fala teve sobre a origem da igualdade entre os homens.
Comente este texto. A discussão sobre a desigualdade entre os homens pode fazer parte dos debates atuais ou está muito bem localizada no âmbito do Iluminismo?
Esta idéia, publicada pela Folha de São Paulo no último sábado, 06/09/2008, no carderno Ilustrada, pode nos servir para reforçar a imagem que está presente no "Discurso sobre a origem das desigualdades entre os homens".
Podemos pensar que foi o efeito sobre os outros, da força da fala daquele que primeiro cercou um pedaço de terra e disse "isto é meu!", encontrando, segundo Rousseau, pessoas suficientemente fracas para acreditar nisso, a origem das desigualdades entre os homens.
O efeito é aquilo que se causa ao outro. Neste episódio imaginado por Rousseau, os outros homens que dão ouvidos áquele que diz ser sua a terra, não foram fortes para dizer que o fruto da terra não é de um só, que a terra, portanto, é de todos. Talvez se o tivessem feito, estaríamos aqui hoje falando do efeito que esta última fala teve sobre a origem da igualdade entre os homens.
Comente este texto. A discussão sobre a desigualdade entre os homens pode fazer parte dos debates atuais ou está muito bem localizada no âmbito do Iluminismo?
quinta-feira, 24 de julho de 2008
"Na Natureza Selvagem"
É em clima de férias que preciso dizer: vão ao cimena!
Mas minha indicação, sinto imenso, não é para ver o "Cavaleiro das Trevas" - embora tenha lido ótimas críticas da última aventura do Batman.
Minha dica é sobre o filme dirigido por Sean Penn, chamado "Na Natureza Selvagem".
Trata-se de um projeto de adaptar o livro de Jon Krakauer sobre Chris McCandless, jovem que largou uma vida segura e de sucesso acadêmico para pegar a estrada rumo ao Alasca.
"Na Natureza Selvagem" não é mais um daqueles filmes com lições de moral sobre a forma de cada indivíduo se encaixar na sociedade na qual vive. Mas registra a opção de vida libertária de um jovem que não se enquadra nos limites que são impostos a ele.
O filme também é um elogio à alegria de viver e de sentir prazer nas pequenas grandes coisas da vida. Trata das relações humanas, enquanto todos se apaixonam pelo garoto que só quer seguir um caminho que não existe pronto, mas se precisa construir...
A caminhada de Chris McCandless é bem contada pela excelente fotografia e pela tocante trilha sonora de Eddie Vedder, ele mesmo: o vocalista do Pearl Jam!
É isso aí. Diversão garantida que está em cartaz no Cine Bom Bril, que é um cinema que tem lugar marcado! Isso mesmo, você compra o ingresso e não tem fila, já que as poltronas são numeradas!
Abraços e saudades,
Helio.
Mas minha indicação, sinto imenso, não é para ver o "Cavaleiro das Trevas" - embora tenha lido ótimas críticas da última aventura do Batman.
Minha dica é sobre o filme dirigido por Sean Penn, chamado "Na Natureza Selvagem".
Trata-se de um projeto de adaptar o livro de Jon Krakauer sobre Chris McCandless, jovem que largou uma vida segura e de sucesso acadêmico para pegar a estrada rumo ao Alasca.
"Na Natureza Selvagem" não é mais um daqueles filmes com lições de moral sobre a forma de cada indivíduo se encaixar na sociedade na qual vive. Mas registra a opção de vida libertária de um jovem que não se enquadra nos limites que são impostos a ele.
O filme também é um elogio à alegria de viver e de sentir prazer nas pequenas grandes coisas da vida. Trata das relações humanas, enquanto todos se apaixonam pelo garoto que só quer seguir um caminho que não existe pronto, mas se precisa construir...
A caminhada de Chris McCandless é bem contada pela excelente fotografia e pela tocante trilha sonora de Eddie Vedder, ele mesmo: o vocalista do Pearl Jam!
É isso aí. Diversão garantida que está em cartaz no Cine Bom Bril, que é um cinema que tem lugar marcado! Isso mesmo, você compra o ingresso e não tem fila, já que as poltronas são numeradas!
Abraços e saudades,
Helio.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Texto da aluna Ana Carolina Davoli: “A grande revolta”.
O monge Martinho Lutero não concordava com alguns pontos da Igreja. Ele elaborou 95 teses denunciando suas irregularidades.
O movimento de reformas religiosas teve início no Sacro Império Romano Germânico. Entre os séculos XIV e XVI, o imperador costumava se proclamar “chefe de todos os cristãos”. Contudo, sua autoridade era restrita, pois os príncipes e bispos controlavam o poder local.
Lutero acreditava que poderia existir um mundo onde todos tivessem os mesmos direitos e condições; onde as pessoas pudessem participar dos cultos e fazer suas próprias leituras;
Muitos religiosos viviam no luxo e exploravam as crenças dos fiéis. Vendiam relíquias e indulgências com a promessa de diminuir o tempo de permanência das pessoas no purgatório.
Lutero sabia que a Igreja podia melhorar e acreditava nela.
A Reforma Católica é um movimento de reação ao protestantismo. Ela precisava auto-reformar-se ou não sobreviveria. Para isso fizeram o Concílio de Trento, com a intenção de manter certo poder sobre os católicos.
Depois de ler o texto da Ana Carolina Davoli, do sétimo “D”, escolha uma das expressões em negrito e deixe um comentário aqui no blog. É uma boa chance de mostrar que você não vai à escola só para fazer amigos!
O movimento de reformas religiosas teve início no Sacro Império Romano Germânico. Entre os séculos XIV e XVI, o imperador costumava se proclamar “chefe de todos os cristãos”. Contudo, sua autoridade era restrita, pois os príncipes e bispos controlavam o poder local.
Lutero acreditava que poderia existir um mundo onde todos tivessem os mesmos direitos e condições; onde as pessoas pudessem participar dos cultos e fazer suas próprias leituras;
Muitos religiosos viviam no luxo e exploravam as crenças dos fiéis. Vendiam relíquias e indulgências com a promessa de diminuir o tempo de permanência das pessoas no purgatório.
Lutero sabia que a Igreja podia melhorar e acreditava nela.
A Reforma Católica é um movimento de reação ao protestantismo. Ela precisava auto-reformar-se ou não sobreviveria. Para isso fizeram o Concílio de Trento, com a intenção de manter certo poder sobre os católicos.
Depois de ler o texto da Ana Carolina Davoli, do sétimo “D”, escolha uma das expressões em negrito e deixe um comentário aqui no blog. É uma boa chance de mostrar que você não vai à escola só para fazer amigos!
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