
Olá meninos e meninas,
Apresento para vocês o historiador que deu a aula inaugural do curso de história quando fui aluno, na Universidade de São Paulo: Fernando Novais. Ele nos é muito útil aqui, devido à sua tese sobre a escravidão e o tráfico negreiro no Brasil. No texto abaixo ele identifica um sentido, quer dizer, um objetivo muito claro para o esforço de Portugal em manter o Brasil como sua colônia. Vamos ler:
" O regime do comércio colonial – isto é, o exclusivo metropolitano no comércio colonial – constituiu-se, ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, no mecanismo através do qual se processava a apropriação por parte dos mercadores das metrópoles, dos lucros excedentes gerados nas economias coloniais: assim, pois, o sistema colonial em funcionamento, configurava uma peça da acumulação primitiva de capitais nos quadros do desenvolvimento do capitalismo mercantil europeu. " (Fernando Novais, “Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial”. São Paulo: Editora Hucitec, 1979, p. 92).
Para Novais, não é a instituição escravidão que explica o surgimento do tráfico negreiro, ao contrário, é o fato de o tráfico negreiro também contribuir para a acumulação primitiva de capital que explica o fato de se ter optado pela mão-de-obra escrava africana.
A ilustração acima, escaneada do livro "A escravidão do Brasil" do historiador Júlio Quevedo, da PUC-RS, ajuda a entender o grande fluxo de escravos da África para as Américas. Se estiver difícil visualizar a imagem, clique sobre ela para ver em tamanho maior.
É isso. Espero que esta sua visita ao blog tenha sido uma experiência útil para o entendimento de questões que estamos trabalhando também na sala de aula.
Abraço!